CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Drusas são:
Drusas = Depósitos entre o EPR e a membrana de Bruch (excrescências do EPR).
Resultam do acúmulo de subprodutos metabólicos (detritos celulares) que o EPR não consegue processar, sinalizando disfunção celular e risco de DMRI.
As drusas são o sinal oftalmoscópico mais característico da DMRI. Elas representam a falha do EPR em digerir os segmentos externos dos fotorreceptores, resultando em depósitos de lipofuscina e outros detritos. Para o diagnóstico diferencial, o examinador deve notar que as drusas são tipicamente bilaterais e simétricas no polo posterior. Diferenciam-se dos exsudatos duros (comuns na retinopatia diabética) porque estes últimos costumam formar círculos ou padrões de 'circinada' e localizam-se intra-retinianamente, enquanto as drusas são sub-retinianas e mais profundas.
Histopatologicamente, as drusas são depósitos extracelulares de material hialino, lipídios e proteínas que se acumulam entre a membrana basal do epitélio pigmentado da retina (EPR) e a camada colágena interna da membrana de Bruch. Elas são consideradas 'excrescências' ou subprodutos do metabolismo do EPR que não foram adequadamente eliminados ou reciclados. A presença de drusas indica um estado de estresse metabólico e disfunção do complexo fotorreceptor-EPR-coriocapilar, sendo o marco clínico inicial da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).
As drusas duras são pequenas (<63 micra), amareladas e com bordas bem definidas, geralmente associadas ao envelhecimento normal e menor risco de progressão para formas graves de DMRI. Já as drusas moles são maiores (>125 micra), têm bordas mal definidas e tendem a coalescer. A presença de drusas moles grandes é um fator de risco significativo para a progressão para a DMRI neovascular (úmida) ou atrofia geográfica (seca), pois indicam uma alteração mais profunda na barreira entre a retina e a coroide.
As drusas em si raramente causam perda súbita de visão, mas podem provocar metamorfopsia (distorção da imagem) e diminuição da sensibilidade ao contraste. O maior perigo reside na sua evolução: elas podem levar à atrofia do EPR sobrejacente (atrofia geográfica) ou estimular a angiogênese a partir da coroide (neovascularização sub-retiniana). Quando as drusas coalescem e elevam o EPR, podem causar descolamentos drusenoides do epitélio pigmentado, que são precursores de perda visual severa na DMRI.
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