UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 67 anos de idade, pele fototipo I, comparece ao ambulatório para avaliação de lesões cutâneas na face. Faz uso de paracetamol, hidroclorotiazida, metoprolol, sinvastatina, insulina e um multivitamínico. Exame físico: eritema na face, colo e braços, associado a várias pápulas eritematosas de superfície áspera e descamativa. Considerando o diagnóstico mais provável, qual dos seguintes medicamentos deve ser substituído?
HCTZ → ↑ risco de queratoses actínicas e carcinomas espinocelulares por fotossensibilização.
A hidroclorotiazida é um potente fotossensibilizante que aumenta a suscetibilidade a danos actínicos e neoplasias cutâneas não melanoma em pacientes de pele clara.
A queratose actínica é uma condição dermatológica comum em idosos, caracterizada por proliferação atípica de queratinócitos induzida pela radiação UV. O uso crônico de hidroclorotiazida tem sido associado em estudos epidemiológicos a um risco significativamente maior de câncer de pele não melanoma devido ao seu efeito fotossensibilizante. Na prática clínica, ao observar múltiplas lesões actínicas em pacientes hipertensos, o médico deve revisar a prescrição e considerar alternativas terapêuticas para mitigar o dano actínico cumulativo.
A hidroclorotiazida possui propriedades fotossensibilizantes que reduzem o limiar de dano celular causado pela radiação ultravioleta (UV). Isso resulta em um aumento do estresse oxidativo e danos ao DNA dos queratinócitos, acelerando a formação de queratoses actínicas e aumentando o risco relativo de carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular, especialmente em áreas fotoexpostas de pacientes com fototipos I e II.
As queratoses actínicas apresentam-se clinicamente como pápulas ou placas eritematosas, geralmente menores que 1 cm, com superfície áspera, descamativa ou queratósica (textura de lixa). São consideradas lesões pré-malignas ou carcinomas espinocelulares in situ iniciais, ocorrendo predominantemente em áreas de exposição solar crônica como face, couro cabeludo calvo e dorso das mãos.
A conduta principal envolve a suspensão ou substituição da hidroclorotiazida por outra classe de anti-hipertensivos que não possuam perfil fotossensibilizante, como bloqueadores dos canais de cálcio ou inibidores da ECA, dependendo das comorbidades do paciente. Além disso, é imperativo reforçar medidas de fotoproteção rigorosa e realizar o tratamento das lesões existentes para prevenir progressão para malignidade.
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