AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Mulherde 43 anos, afro-amerłcana, é atendida no ambulatório de cirurgia. Foi submetida há um ano a colecistectomia laparotomia com incisão subcostal direita (incisão de Kocher). O exame da cicatriz revela: um crescimento tecidual além das bordas da ferida original, sem ter havido regressão no período pós-operatório, com pigmentação escura.O desenvolvimento exuberante da cicatriz poderia ter sido reduzido se fosse empregada qual estratégia pós-operatória?
Quelóide: crescimento tecidual além da ferida original. Prevenção = terapia compressiva (bandagem) por meses.
Queloides são cicatrizes exuberantes que crescem além das bordas da ferida original, sem regressão espontânea e com maior incidência em peles mais escuras. A terapia compressiva, como o uso de bandagens pós-cirúrgicas por vários meses, é uma estratégia eficaz para reduzir seu desenvolvimento.
Queloides são lesões fibroproliferativas benignas que representam uma forma patológica de cicatrização. Diferentemente das cicatrizes hipertróficas, que permanecem dentro dos limites da lesão original e podem regredir espontaneamente, os queloides se estendem além das bordas da ferida e não mostram sinais de regressão. Eles são mais comuns em indivíduos com pele mais escura e em certas áreas do corpo, como orelhas, ombros e tórax, e podem causar desconforto estético e funcional. A prevenção é a melhor abordagem para queloides, especialmente em pacientes com fatores de risco conhecidos. Uma das estratégias mais eficazes e amplamente utilizadas é a terapia compressiva, que envolve o uso de bandagens, órteses ou roupas de compressão. Essa pressão contínua sobre a cicatriz, mantida por vários meses (geralmente de 3 a 12 meses), ajuda a modular a síntese de colágeno e a reduzir a proliferação de fibroblastos, resultando em uma cicatriz mais plana e menos proeminente. Outras medidas preventivas incluem o uso de placas de gel de silicone, que também exercem um efeito oclusivo e hidratante, e, em casos de alto risco ou recorrência, injeções intralesionais de corticosteroides ou radioterapia adjuvante. A escolha da incisão cirúrgica e a técnica de sutura também podem influenciar o risco. Para residentes, é crucial conhecer essas estratégias para oferecer o melhor cuidado aos pacientes e evitar complicações estéticas e funcionais significativas.
Os principais fatores de risco incluem predisposição genética, etnia (maior incidência em indivíduos de pele mais escura, como afro-americanos e asiáticos), idade (mais comum entre 10 e 30 anos), localização da lesão (orelhas, pescoço, ombros, tórax) e tipo de trauma (queimaduras, acne, cirurgias).
A terapia compressiva aplica pressão constante sobre a cicatriz, o que reduz o fluxo sanguíneo local, diminui a atividade dos fibroblastos e a síntese de colágeno, além de promover a remodelação do colágeno existente. Isso ajuda a achatar e amolecer a cicatriz, prevenindo seu crescimento exuberante.
Além da terapia compressiva, outras estratégias incluem o uso de placas de silicone, injeções intralesionais de corticosteroides, crioterapia, laserterapia e, em casos selecionados, radioterapia pós-operatória. A combinação de métodos é frequentemente mais eficaz para pacientes de alto risco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo