UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2016
Paciente do sexo feminino de 45 anos chega ao consultório referindo quadro de cefaleia crônica há pelo menos 5 anos, além de dor abdominal e de sensação recorrente de entalo na garganta. Diz ter consultado alguns especialistas que lhe afirmam que “ela não tem nada”. Traz consigo uma TC de crânio, endoscopia digestiva alta, ultrassonografia abdominal total e de pescoço sem alterações, além de exames laboratoriais de 3 meses atrás, nos quais a única alteração é uma hipercolesterolemia (colesterol total = 278 mg/dL). Menciona que gostaria de fazer outros exames, pois acredita que possa estar com alguma doença rara. No exame físico geral, a única alteração identificada é sobrepeso (IMC = 28). Diante desse quadro, qual a melhor abordagem, considerando que se trata da primeira consulta?
Paciente com múltiplas queixas inespecíficas e exames normais → Reforçar vínculo e plano de cuidados.
Em pacientes com múltiplas queixas somáticas, exames normais e histórico de 'não ter nada', a abordagem inicial deve focar no fortalecimento da relação médico-paciente, validação do sofrimento e estabelecimento de um plano de cuidados longitudinais, evitando a solicitação desnecessária de novos exames.
Pacientes com queixas somáticas inespecíficas e exames complementares normais são um desafio comum na prática médica, especialmente na atenção primária. A abordagem inicial é crucial para evitar a medicalização excessiva e a fragmentação do cuidado. É fundamental reconhecer que o sofrimento do paciente é real, mesmo que não haja uma causa orgânica evidente. A fisiopatologia dessas queixas pode envolver fatores psicossociais, como estresse, ansiedade, depressão ou transtornos somatoformes, onde o sofrimento psíquico se manifesta através de sintomas físicos. O diagnóstico diferencial exige uma anamnese detalhada e um exame físico completo, mas a repetição desnecessária de exames já realizados e normais deve ser evitada. A hipercolesterolemia, neste caso, é um achado incidental e não explica o quadro. O tratamento e manejo desses pacientes focam no estabelecimento de uma relação médico-paciente sólida e de confiança, onde o médico valida o sofrimento do paciente e oferece um plano de cuidados continuados. Isso pode incluir acompanhamento regular, psicoeducação, e, se apropriado, encaminhamento para psicoterapia ou avaliação psiquiátrica, sempre em conjunto com o paciente e com foco na melhoria da qualidade de vida e funcionalidade.
A abordagem deve ser centrada na pessoa, validando o sofrimento do paciente, estabelecendo uma relação de confiança e oferecendo um plano de cuidados continuados. Evitar a solicitação excessiva de exames desnecessários.
Uma forte relação médico-paciente permite que o paciente se sinta ouvido e compreendido, reduzindo a ansiedade e a busca incessante por diagnósticos orgânicos. Facilita a adesão ao plano de cuidados e a abordagem de fatores psicossociais.
Um transtorno somatoforme pode ser considerado quando há múltiplas queixas físicas sem explicação médica clara, causando sofrimento significativo ou prejuízo funcional, após uma avaliação clínica cuidadosa para excluir doenças orgânicas.
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