HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015
Um paciente de 65 anos de idade, sexo masculino, apresenta-se queixando-se de dor em cólica, iniciando-se em flanco direito e irradiando-se para fossa ilíaca direita e bolsa escrotal esquerda, de início há 2 horas, com aumento contínuo de intensidade. Nega febre. Refere disúria discreta e urina de cor escura e odor característico. Não tem antecedentes familiares relevantes e, como antecedente pessoal importante, refere ter tido elevação de ácido úrico constatado em exame de rotina, mas não ter tomado nenhuma providência quanto a isso. Eventualmente, apresenta artralgia e já teve artrite em hálux esquerdo, não sabendo informar em que consistiu o tratamento, mas houve regressão do quadro. O exame físico revela sinal de Giordano positivo à direita, fáscie de dor intensa, gemente, consciente, anictérico. PA = 140/90 mmHg e FC = FP = 110 bpm. Sem outros achados. Com base no caso, é correto afirmar que o diagnóstico mais provável é de:
Dor em cólica no flanco + Irradiação para genitália + Giordano (+) = Urolitíase.
A urolitíase manifesta-se tipicamente como dor lombar aguda e intensa com irradiação anterior. O histórico de gota e hiperuricemia aumenta a suspeita de cálculos de ácido úrico.
A urolitíase é uma condição comum caracterizada pela formação de cálculos no trato urinário. A apresentação clássica é a cólica nefrética: dor súbita, intensa, em flanco, que irradia para a região inguinal ou genitália ipsilateral, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. A fisiopatologia envolve a supersaturação da urina por sais, levando à cristalização e crescimento do cálculo. Fatores de risco incluem baixa ingestão hídrica, dieta rica em sódio e proteínas, e condições metabólicas como hipercalciúria, hiperoxalúria e hiperuricemia. No caso de cálculos de ácido úrico, o manejo envolve a alcalinização urinária e, em alguns casos, o uso de alopurinol. O tratamento agudo foca na analgesia (AINEs e opioides) e na avaliação da necessidade de intervenção urológica baseada no tamanho do cálculo e presença de complicações.
O sinal de Giordano é a dor aguda referida pelo paciente à punho-percussão da região lombar (ângulo costovertebral). É um sinal clássico de distensão da cápsula renal ou inflamação do parênquima, sendo positivo em casos de urolitíase obstrutiva e pielonefrite.
Pacientes com gota frequentemente apresentam hiperuricemia e hiperuricosúria. O excesso de ácido úrico na urina, especialmente em pH urinário ácido, predispõe à precipitação de cristais e formação de cálculos de ácido úrico, que são radiotransparentes no raio-X simples, mas visíveis na tomografia.
A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve sem contraste (protocolo para litíase) é o padrão-ouro, pois possui alta sensibilidade e especificidade para identificar a localização, o tamanho e a densidade do cálculo, além de avaliar complicações como hidronefrose.
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