UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2016
Lucas, 16 anos, residente no assentamento do MST de Morro Alto, procurou seu Médico de Família referindo dor abdominal crônica periumbilical. Ao longo da consulta, Lucas mostra-se preocupado com o fato de ter iniciado sua vida sexual há alguns meses e não ter usado preservativo até o momento. Considerando o caso relatado e os princípios do atendimento ao adolescente na Atenção Primária, é correto afirmar:
Adolescentes frequentemente apresentam queixas ocultas; a queixa principal pode ser uma 'porta de entrada' para temas mais sensíveis.
No atendimento ao adolescente, é comum que a queixa principal seja uma 'porta de entrada' para problemas mais profundos ou sensíveis, como questões de sexualidade, uso de drogas, saúde mental ou violência. O profissional de saúde deve criar um ambiente de confiança para que o adolescente se sinta à vontade para expressar suas reais preocupações.
O atendimento ao adolescente na Atenção Primária à Saúde (APS) exige uma abordagem diferenciada, que reconheça as particularidades dessa fase de transição entre a infância e a vida adulta. Os adolescentes estão em um período de intensas mudanças físicas, psicológicas e sociais, o que os torna vulneráveis a diversos problemas de saúde, muitos dos quais podem não ser expressos diretamente na queixa principal. É uma prática comum que adolescentes utilizem uma queixa física 'neutra' (como dor abdominal, cefaleia) como um 'bilhete de entrada' para a consulta, enquanto suas reais preocupações podem estar relacionadas a temas mais sensíveis, como sexualidade, uso de substâncias, saúde mental, violência ou dificuldades escolares/familiares. O profissional de saúde deve estar atento a essa dinâmica e criar um ambiente de acolhimento e confidencialidade para que o adolescente se sinta seguro para compartilhar suas angústias. A construção de um vínculo de confiança, a garantia da confidencialidade (respeitando os limites legais e éticos), a escuta ativa e a utilização de ferramentas de rastreamento de risco são essenciais para uma abordagem integral. O objetivo é promover a saúde do adolescente em suas múltiplas dimensões, oferecendo orientação, prevenção e tratamento, e capacitando-o para tomar decisões informadas sobre sua própria saúde.
Adolescentes podem sentir vergonha, medo de julgamento, ou receio de que suas informações sejam compartilhadas com os pais. Eles frequentemente usam uma queixa física 'segura' como forma de acessar o serviço de saúde e, com confiança, revelar preocupações mais íntimas.
É fundamental estabelecer uma relação de confiança, garantir a confidencialidade (dentro dos limites legais), demonstrar empatia, usar uma linguagem acessível e fazer perguntas abertas que permitam ao adolescente expressar-se livremente, como parte de uma abordagem biopsicossocial.
As principais áreas incluem saúde sexual e reprodutiva (gravidez, ISTs, orientação sexual), uso de substâncias, saúde mental (depressão, ansiedade, ideação suicida), violência (doméstica, bullying) e problemas familiares ou escolares, que demandam uma escuta ativa e acolhedora.
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