UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
João Paulo, 14 anos, morador de um bairro popular, procurou seu Médico de Família com queixa de dor abdominal crônica periumbilical. Após algum tempo de conversa, João Paulo revelou que o verdadeiro motivo de sua consulta foi ter iniciado sua vida sexual há alguns meses e não ter usado preservativo até o momento. Durante a abordagem do médico, João Paulo sente-se confortável para discutir sobre sua sexualidade e relações familiares. Relata que nunca conseguiu se abrir com os seus familiares para solicitar orientação, diz que a mãe está sempre muito ocupada com os afazeres domésticos e as atividades dos dois irmãos menores de 4 e 5 anos, e o pai nunca lhe dá atenção pois chega em casa sempre bêbado e não conversa com os filhos. Diante do caso apresentado, o médico solicita alguns exames, prescreve um esquema terapêutico para Doenças Sexualmente Transmissíveis e marca o retorno em uma semana sugerindo o acompanhamento da mãe para melhor abordagem na próxima consulta. Sobre abordagem familiar, assinale a alternativa correta.
Em adolescentes, a queixa principal pode mascarar o real motivo da consulta; a queixa oculta é comum e exige escuta ativa e ambiente acolhedor.
A consulta com adolescentes frequentemente envolve queixas ocultas, onde o motivo inicial da consulta (ex: dor abdominal) serve como 'porta de entrada' para discutir questões mais sensíveis, como sexualidade ou problemas familiares. É fundamental criar um ambiente de confiança e escuta ativa para que o adolescente se sinta à vontade para revelar suas preocupações reais.
A consulta com adolescentes na atenção primária à saúde é um momento único e desafiador. Diferente de outras faixas etárias, o adolescente muitas vezes chega ao consultório com uma 'queixa-porta' ou 'queixa oculta', que não é o real motivo de sua busca por ajuda. Essa queixa inicial (como dor abdominal, cefaleia) serve como um pretexto para abordar temas mais delicados, como sexualidade, uso de substâncias, problemas familiares, bullying ou questões de saúde mental, que ele pode ter dificuldade em expressar diretamente. Para identificar e abordar a queixa oculta, o médico de família precisa desenvolver habilidades de comunicação específicas: criar um ambiente de confiança e confidencialidade, praticar a escuta ativa, fazer perguntas abertas e permitir que o adolescente se sinta à vontade para se expressar. É fundamental reservar um tempo para conversar a sós com o adolescente, garantindo sua privacidade e autonomia, respeitando os limites da confidencialidade. A abordagem familiar, embora importante para o contexto e apoio, deve ser cuidadosamente balanceada com a autonomia do adolescente. A adesão ao plano terapêutico e a resolução dos problemas do adolescente dependem primariamente de sua própria aceitação e engajamento, e não apenas da aceitação dos pais. O médico de família tem o compromisso de oferecer cuidado integral ao adolescente e à sua família, atuando como facilitador da comunicação e promotor de saúde em todas as esferas da vida do jovem.
Uma queixa oculta é o verdadeiro motivo que leva o adolescente à consulta, mas que ele não expressa diretamente no início, utilizando uma queixa mais 'aceitável' (como um sintoma físico) como pretexto. Geralmente, envolve temas sensíveis como sexualidade, uso de drogas, problemas familiares ou saúde mental.
O médico deve criar um ambiente acolhedor e confidencial, demonstrar empatia, fazer perguntas abertas e usar a técnica do 'túnel' (começar com perguntas gerais e ir afunilando para temas mais íntimos), além de reservar um tempo para conversar a sós com o adolescente.
A abordagem familiar é crucial para entender o contexto de vida do adolescente, identificar fatores de risco e proteção, e buscar apoio para a adesão ao tratamento e promoção da saúde. No entanto, a autonomia do adolescente e a confidencialidade devem ser respeitadas.
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