Queimaduras em Pediatria: Manejo e Complicações Graves

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Barbara de 8 anos, em acampamento com familiares, brincava e, ao correr, tropeçou e caiu perto da fogueira. A criança apresentou lesões eritematosas e com flictenas cobrindo todo o braço direito e metade da coxa e perna direitas, além de discreta lesão em tronco. Após avaliação da criança, com classificação do grau de queimadura e extensão, a orientação inicial do plantonista está indicada na alternativa

Alternativas

  1. A) Alta para casa com uso de sulfadiazina de prata e reavaliação em 48 horas.
  2. B) Alta para casa com curativos diários e antibiótico oral de amplo espectro.
  3. C) Internamento para vigilância de síndrome compartimental e curativos.
  4. D) Internamento para curativo diário e parecer da dermatologia.
  5. E) Internamento para antibioticoterapia venosa e analgesia.

Pérola Clínica

Queimadura circunferencial em extremidade → Vigilância de Síndrome Compartimental.

Resumo-Chave

Queimaduras de 2º grau extensas ou circunferenciais em membros exigem internação para monitoramento de perfusão distal e controle rigoroso da dor.

Contexto Educacional

O manejo de queimaduras na infância exige atenção à estabilização hemodinâmica (fórmula de Parkland), controle da dor e prevenção de infecções. A gravidade é determinada pela profundidade, extensão (SCQ) e localização (face, mãos, períneo). Queimaduras que envolvem mais de 10% da SCQ em crianças geralmente requerem internação. A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica que pode ocorrer em queimaduras térmicas ou elétricas. A vigilância clínica contínua em ambiente hospitalar é mandatória para detectar alterações de perfusão. O uso de sulfadiazina de prata é comum, mas deve-se evitar em face ou em pacientes com alergia a sulfa, priorizando curativos biológicos ou de prata nanocristalina em centros especializados.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma queimadura de segundo grau?

A queimadura de segundo grau (espessura parcial) atinge a epiderme e parte da derme. Clinicamente, apresenta-se com dor intensa, eritema e a presença característica de flictenas (bolhas). Pode ser superficial (preserva anexos e cicatriza rápido) ou profunda (mais pálida, menos dolorosa e com maior risco de cicatrizes). O manejo envolve limpeza, desbridamento de bolhas rotas e curativos com agentes antimicrobianos tópicos.

Como calcular a superfície corporal queimada em crianças?

Em pediatria, utiliza-se a Tabela de Lund-Browder ou a Regra dos Nove modificada. Diferente dos adultos, a cabeça da criança representa uma proporção maior (até 18% no lactente) e os membros inferiores uma proporção menor. No caso da questão, o braço direito (9%) e metade da perna/coxa direita (~9%) totalizam uma área significativa que, somada a lesões em tronco, ultrapassa os limites para tratamento ambulatorial seguro.

Por que monitorar síndrome compartimental em queimados?

Queimaduras circunferenciais profundas agem como uma 'torniquete' devido à perda de elasticidade da pele (escaras) e ao edema maciço do compartimento muscular. Isso aumenta a pressão intracompartimental, reduzindo a perfusão capilar e levando à isquemia nervosa e muscular. O sinal mais precoce é a dor desproporcional ao exame, seguida de parestesia e ausência de pulsos (sinal tardio). O tratamento é a escarotomia ou fasciotomia urgente.

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