Queimaduras Químicas: Manejo Correto e Erros Comuns

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

A incidência de queimaduras diminuiu nas últimas décadas, em virtude das medidas de prevenção. Crianças de até cinco anos pertencem ao grupo de maior risco, sendo os incêndios a principal causa de morte relacionada a queimaduras em crianças. Dentre as alternativas a seguir, indique aquela que está incorreta.

Alternativas

  1. A) Se o paciente tiver recebido uma ou nenhuma dose da vacina antitetânica, aplicarimunoglobulina antitetânica e imunização antitetânica seriada.
  2. B) Recomenda-se hospitalização das crianças com queimaduras elétricas/químicas e com queimaduras de 2º grau, que acometa mais de 10% da superfície corpórea.
  3. C) Queimaduras por cigarro, queimaduras com líquido escaldante e imersão (limites bem definidos na extremidade) sugerem lesões intencionais e devem ser notificadas.
  4. D) Nas queimaduras químicas extensas, deve-se remover a substância e irrigar com grande quantidade de água gelada por pelo menos 30 minutos.
  5. E) Deve-se instituir acesso venoso e ressuscitação hídrica em superfície corpórea queimada (SCQ) maior de 15% ou menos em casos com evidências de inalação de fumaça.

Pérola Clínica

Queimaduras químicas → irrigar com água em temperatura ambiente (não gelada) por tempo prolongado.

Resumo-Chave

No tratamento de queimaduras químicas, a irrigação deve ser feita com água em temperatura ambiente (ou soro fisiológico) e não com água gelada. A água gelada pode causar hipotermia, especialmente em queimaduras extensas, e vasoconstrição, dificultando a remoção da substância química e a dissipação do calor. O tempo de irrigação deve ser prolongado, no mínimo 30 minutos.

Contexto Educacional

As queimaduras representam uma importante causa de morbimortalidade, especialmente em crianças, que são um grupo de alto risco. A prevenção é a melhor estratégia, mas o manejo adequado em caso de ocorrência é crucial. O tratamento inicial visa interromper o processo de queimadura, aliviar a dor, prevenir infecções e iniciar a ressuscitação hídrica quando indicada. No caso específico de queimaduras químicas, a remoção imediata da substância e a irrigação abundante da área afetada são as prioridades. É fundamental que a irrigação seja feita com água em temperatura ambiente (ou soro fisiológico), e não água gelada. A água gelada pode causar vasoconstrição, dificultando a remoção da substância e a dissipação do calor, além de aumentar o risco de hipotermia, uma complicação grave em pacientes queimados, especialmente crianças. A irrigação deve ser mantida por um período prolongado, geralmente 30 minutos ou mais. Outros pontos importantes no manejo de queimaduras incluem a avaliação da necessidade de imunização antitetânica, a ressuscitação hídrica em queimaduras extensas (com a fórmula de Parkland), a identificação de sinais de maus-tratos (como queimaduras por cigarro ou de imersão com limites definidos) e a indicação de hospitalização para casos mais graves, como queimaduras elétricas, químicas ou de 2º grau > 10% da SCQ em crianças. O conhecimento desses princípios é vital para a prática clínica e para as provas de residência.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial em caso de queimadura química?

A conduta inicial é remover imediatamente a substância química da pele e irrigar a área afetada com grande quantidade de água corrente em temperatura ambiente (ou soro fisiológico) por pelo menos 30 minutos, ou até a remoção completa da substância, se possível.

Por que não se deve usar água gelada para irrigar queimaduras químicas?

A água gelada pode induzir vasoconstrição, o que pode dificultar a remoção da substância química e a dissipação do calor. Além disso, em queimaduras extensas, o uso de água gelada aumenta o risco de hipotermia, uma complicação grave em pacientes queimados.

Quais são os critérios para hospitalização de crianças com queimaduras?

Crianças com queimaduras elétricas ou químicas, queimaduras de 2º grau que acometem mais de 10% da superfície corpórea, queimaduras de 3º grau, queimaduras em áreas críticas (face, mãos, pés, genitália, períneo, grandes articulações) ou com suspeita de maus-tratos devem ser hospitalizadas.

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