USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente é admitido no PS com história de contato com agente químico cáustico em grande quantidade, em consequência de explosão de reservatório no ambiente de trabalho. A equipe da CIPA foi acionada e de imediato promoveu irrigação com difoterina. O paciente é trazido pelo serviço de resgate já sem as vestes, com aquecimento corporal e com dois acessos calibrosos. Com relação ao quadro relatado, assinale a alternativa correta:
Queimaduras químicas > térmicas em morbidade devido à ação tecidual contínua.
Agentes químicos causam danos persistentes enquanto não removidos, frequentemente resultando em lesões mais profundas e sistêmicas que queimaduras térmicas equivalentes.
Queimaduras químicas representam um desafio clínico devido à diversidade de agentes e ao potencial de toxicidade sistêmica. A gravidade depende da concentração do agente, volume, duração do contato e mecanismo de ação (oxidação, redução, corrosão ou venenos protoplasmáticos). O tratamento precoce com irrigação volumosa é a intervenção que mais impacta o prognóstico, visando diluir o agente e restaurar o pH fisiológico dos tecidos o mais rápido possível.
Diferente das queimaduras térmicas, onde o dano cessa assim que a fonte de calor é removida, os agentes químicos continuam a reagir com as proteínas e lipídios teciduais enquanto estiverem presentes. Ácidos causam necrose por coagulação, criando uma barreira, mas álcalis causam necrose por liquefação, permitindo uma penetração muito mais profunda e persistente, o que eleva significativamente a morbidade e o risco de sequelas funcionais.
A Difoterina é uma solução anfotérica e hiperotônica utilizada para a descontaminação de respingos químicos. Ela atua quelando e neutralizando tanto ácidos quanto bases, além de agentes oxidantes e redutores, sem gerar reações exotérmicas significativas. Sua capacidade de interromper a ação do agente químico rapidamente na superfície e no interstício ajuda a reduzir a profundidade da lesão e a necessidade de intervenções cirúrgicas posteriores.
O passo mais crítico é a remoção imediata das roupas contaminadas e a irrigação copiosa com água corrente ou soluções específicas (como a Difoterina) por tempo prolongado (mínimo 20-30 minutos para ácidos e até 1-2 horas para álcalis). Não se deve tentar neutralizar quimicamente o agente (ex: usar vinagre para base) devido ao risco de calor de reação. A estabilização hemodinâmica e o suporte ventilatório seguem os protocolos padrão de trauma (ATLS).
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