Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Um lactente de 2 anos de idade com peso de 12 kg sofreu queimaduras de segundo grau cobrindo 15% de sua superfície corporal total após um acidente com líquidos escaldantes. O paciente foi rapidamente levado ao pronto-socorro (tempo de chegada = 1 hora após o evento). Não apresentava sinais de choque na avaliação inicial, mas estava choroso e com dor evidente. O médico decidiu iniciar a reposição volêmica conforme as diretrizes de manejo de queimaduras.Com base nas informações fornecidas e nas diretrizes para reposição volêmica em pacientes pediátricos queimados sugeridas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a quantidade apropriada de fluido (ringer lactato) que esse paciente deve receber nas primeiras 24 horas após a queimadura e como deve ser distribuída essa reposição?
Reposição volêmica queimadura pediátrica (Parkland modif.): 3 mL/kg/%SCQ em 24h (50% nas 8h, 50% nas 16h).
Em queimaduras pediátricas, a reposição volêmica é crucial para prevenir o choque. A fórmula de Parkland modificada (3 mL/kg/%SCQ) é amplamente utilizada, com metade do volume total administrado nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes, a partir do momento da queimadura.
Queimaduras em pacientes pediátricos representam uma emergência médica grave, com alto risco de morbidade e mortalidade. A avaliação inicial deve focar na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC), seguida pela estimativa da superfície corporal queimada (SCQ) e início da reposição volêmica. Crianças são particularmente vulneráveis à desidratação e ao choque hipovolêmico devido à sua maior área de superfície corporal em relação ao peso e menores reservas fisiológicas. A reposição volêmica é a pedra angular do tratamento inicial de queimaduras extensas em crianças. A fórmula de Parkland modificada para pediatria, frequentemente recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, utiliza 3 mL de Ringer Lactato por quilograma de peso por porcentagem de SCQ para as primeiras 24 horas. É crucial que metade desse volume seja administrada nas primeiras 8 horas a partir do momento da queimadura (e não da chegada ao hospital), e a outra metade nas 16 horas subsequentes. Além do cálculo inicial, a monitorização rigorosa da resposta à fluidoterapia é essencial, avaliando débito urinário (1 mL/kg/h para crianças < 30 kg), frequência cardíaca, pressão arterial e perfusão periférica. A super ou sub-hidratação pode levar a complicações graves. Residentes devem dominar a aplicação dessas fórmulas e a monitorização para garantir um manejo adequado e otimizar o prognóstico de crianças vítimas de queimaduras.
Para crianças, a recomendação geral é de 3 mL de Ringer Lactato por kg por porcentagem de superfície corporal queimada (%SCQ), enquanto para adultos é de 4 mL/kg/%SCQ. Além disso, em crianças, a manutenção basal de fluidos também deve ser considerada.
Metade do volume total calculado deve ser administrada nas primeiras 8 horas a partir do momento da queimadura, e a outra metade nas 16 horas subsequentes.
Crianças têm uma maior relação superfície/massa corporal e reservas fisiológicas menores, tornando-as mais suscetíveis à perda de fluidos e eletrólitos através da área queimada. A reposição volêmica adequada previne o choque hipovolêmico, que é uma complicação grave e comum.
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