Queimaduras Pediátricas: Mitos e Verdades na Abordagem Inicial

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020

Enunciado

Sobre a abordagem de queimaduras em pacientes pediátricos é incorreto afirmar:

Alternativas

  1. A) A presença de lesão inalatória aumenta em grande proporção a mortalidade, devendo ser suspeitada em caso de queimadura de face ou incêndios em locais fechados.
  2. B) Sepse é a principal causa de morte de crianças queimadas, estando indicada antibioticoprofilaxia sistêmica nos casos de queimaduras graves que necessitem de hospitalização.
  3. C) Reposição hídrica adequada está entre as primeiras medidas que devem ser adotadas na emergência para prevenir ou corrigir choque hipovolêmico, importante causa de mortalidade precoce.
  4. D) Está indicada hospitalização em casos de queimaduras de 2º ou 3º grau extensas, lesão inalatória, queimaduras elétricas, e paciente com comorbidade crônica.
  5. E) Nas primeiras 24h, o potássio não deve ser ofertado na hidratação, considerando a alta liberação na corrente sanguínea pelas células lesadas, e o risco de hipercalemia na acidose.

Pérola Clínica

Antibioticoprofilaxia sistêmica NÃO é rotina em queimaduras pediátricas graves; ↑ risco de resistência.

Resumo-Chave

A antibioticoprofilaxia sistêmica não é recomendada de rotina em queimaduras graves pediátricas, pois não previne infecção e pode selecionar cepas resistentes. O foco deve ser na limpeza rigorosa da ferida, desbridamento e uso de antimicrobianos tópicos, reservando antibióticos sistêmicos para infecções confirmadas ou suspeita de sepse.

Contexto Educacional

As queimaduras em pacientes pediátricos são uma causa significativa de morbidade e mortalidade, exigindo uma abordagem especializada. A lesão inalatória é uma complicação grave que aumenta exponencialmente a mortalidade e deve ser prontamente suspeitada em casos de queimaduras de face, pescoço ou ocorrência em ambientes fechados, necessitando de avaliação e manejo das vias aéreas. A sepse é, de fato, uma das principais causas de morte em crianças queimadas, mas a antibioticoprofilaxia sistêmica de rotina não é indicada. Essa prática não previne infecção e pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana. O manejo adequado inclui limpeza da ferida, desbridamento, uso de antimicrobianos tópicos e, se houver sinais de infecção sistêmica ou sepse, a coleta de culturas e o início de antibioticoterapia direcionada. A reposição hídrica é uma medida vital nas primeiras horas para prevenir o choque hipovolêmico, uma causa precoce de mortalidade. A fórmula de Parkland é comumente utilizada, com ajustes para crianças. É importante lembrar que, nas primeiras 24 horas, o potássio não deve ser adicionado à hidratação devido à liberação celular massiva e ao risco de hipercalemia, especialmente em pacientes com acidose. A hospitalização é indicada para queimaduras extensas, lesão inalatória, queimaduras elétricas ou em pacientes com comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de lesão inalatória em crianças queimadas e qual sua importância?

A lesão inalatória deve ser suspeitada em caso de queimadura de face, pescoço, vibrissas nasais queimadas, escarro carbonáceo, rouquidão ou ocorrência do incêndio em local fechado. É crucial, pois aumenta drasticamente a mortalidade e exige manejo prioritário das vias aéreas.

Por que a antibioticoprofilaxia sistêmica não é recomendada em queimaduras pediátricas?

A antibioticoprofilaxia sistêmica não previne infecções em queimaduras e pode selecionar cepas bacterianas resistentes. O tratamento deve ser direcionado para infecções confirmadas, com foco na limpeza da ferida e antimicrobianos tópicos.

Qual a importância da reposição hídrica e do potássio no manejo inicial de queimaduras graves em crianças?

A reposição hídrica adequada é vital nas primeiras 24 horas para prevenir choque hipovolêmico, uma causa precoce de morte. O potássio não deve ser ofertado inicialmente, pois há alta liberação celular devido à lesão, com risco de hipercalemia, especialmente na presença de acidose.

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