SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
De acordo com o ATLS – 10ª edição, a respeito do atendimento ao paciente vítima de queimadura grave, é correto afirmar que:
Ressuscitação volêmica excessiva → Edema generalizado + Síndrome compartimental.
O fenômeno do 'fluid creep' (super-ressuscitação) é uma preocupação central no ATLS 10, pois o excesso de volume causa edema tecidual grave, progressão da profundidade da ferida e síndromes compartimentais.
O manejo do paciente grande queimado no ATLS 10ª edição enfatiza a manutenção da perfusão orgânica enquanto se evita a sobrecarga hídrica. A ressuscitação deve ser guiada pelo débito urinário (alvo de 0,5 ml/kg/h em adultos e 1 ml/kg/h em crianças < 30kg). A fórmula de Parkland (2-4ml x kg x %SCQ) serve apenas como ponto de partida, devendo ser ajustada conforme a resposta clínica. Além da volemia, o controle das vias aéreas é crítico, especialmente em casos de lesão por inalação (estridor, rouquidão, queimaduras vibrissas). A profilaxia antitetânica deve ser sempre revisada e atualizada. Antibióticos profiláticos sistêmicos não são recomendados no atendimento inicial, pois não previnem sepse e favorecem a seleção de germes multirresistentes; o foco deve ser no desbridamento e curativos tópicos adequados.
A ressuscitação volêmica excessiva, conhecida como 'fluid creep', leva ao extravasamento de fluido para o espaço intersticial devido ao aumento da permeabilidade capilar sistêmica pós-queimadura. Isso resulta em edema maciço que pode comprometer a perfusão de órgãos e membros, levando à síndrome compartimental abdominal ou de extremidades, além de piorar a troca gasosa pulmonar e aumentar a profundidade da lesão térmica original.
Em queimaduras químicas, a prioridade é a remoção imediata do agente causador. Deve-se remover roupas contaminadas e realizar irrigação copiosa com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 20-30 minutos. O ATLS contraindica o uso de agentes neutralizantes, pois a reação química de neutralização é exotérmica, gerando calor que pode aprofundar a lesão tecidual.
Queimaduras elétricas são frequentemente comparadas a 'icebergs': a lesão cutânea visível (pontos de entrada e saída) costuma ser pequena em relação ao dano tecidual profundo (músculos e nervos). A passagem da corrente gera calor interno intenso, podendo causar rabdomiólise e síndrome compartimental. Portanto, uma pequena ferida externa não exclui lesões graves subjacentes, exigindo monitorização cardíaca e vigilância de mioglobinúria.
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