Atendimento ao Grande Queimado: Condutas do ATLS 10

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025

Enunciado

De acordo com o ATLS – 10ª edição, a respeito do atendimento ao paciente vítima de queimadura grave, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Há sempre indicação de antibioticoprofilaxia no atendimento inicial do paciente grande queimado.
  2. B) Em paciente vítima de queimadura química, há indicação de lavar as feridas com agentes neutralizantes das soluções causadoras da queimadura.
  3. C) Lesões elétricas geralmente resultam em contratura da extremidade afetada, um membro contraído com uma pequena ferida de entrada elétrica exclui a possibilidade de que se tenha lesão tecidual mais profunda, sendo apenas a ferida superficial.
  4. D) A ressuscitação volêmica exagerada resulta em edema, o que pode levar a complicações, como progressão da profundidade da queimadura ou síndrome compartimental abdominal ou de membros.
  5. E) Não há necessidade de revisão do status vacinal antitétano.

Pérola Clínica

Ressuscitação volêmica excessiva → Edema generalizado + Síndrome compartimental.

Resumo-Chave

O fenômeno do 'fluid creep' (super-ressuscitação) é uma preocupação central no ATLS 10, pois o excesso de volume causa edema tecidual grave, progressão da profundidade da ferida e síndromes compartimentais.

Contexto Educacional

O manejo do paciente grande queimado no ATLS 10ª edição enfatiza a manutenção da perfusão orgânica enquanto se evita a sobrecarga hídrica. A ressuscitação deve ser guiada pelo débito urinário (alvo de 0,5 ml/kg/h em adultos e 1 ml/kg/h em crianças < 30kg). A fórmula de Parkland (2-4ml x kg x %SCQ) serve apenas como ponto de partida, devendo ser ajustada conforme a resposta clínica. Além da volemia, o controle das vias aéreas é crítico, especialmente em casos de lesão por inalação (estridor, rouquidão, queimaduras vibrissas). A profilaxia antitetânica deve ser sempre revisada e atualizada. Antibióticos profiláticos sistêmicos não são recomendados no atendimento inicial, pois não previnem sepse e favorecem a seleção de germes multirresistentes; o foco deve ser no desbridamento e curativos tópicos adequados.

Perguntas Frequentes

Por que a ressuscitação volêmica exagerada é perigosa no queimado?

A ressuscitação volêmica excessiva, conhecida como 'fluid creep', leva ao extravasamento de fluido para o espaço intersticial devido ao aumento da permeabilidade capilar sistêmica pós-queimadura. Isso resulta em edema maciço que pode comprometer a perfusão de órgãos e membros, levando à síndrome compartimental abdominal ou de extremidades, além de piorar a troca gasosa pulmonar e aumentar a profundidade da lesão térmica original.

Qual a conduta inicial em queimaduras químicas segundo o ATLS?

Em queimaduras químicas, a prioridade é a remoção imediata do agente causador. Deve-se remover roupas contaminadas e realizar irrigação copiosa com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 20-30 minutos. O ATLS contraindica o uso de agentes neutralizantes, pois a reação química de neutralização é exotérmica, gerando calor que pode aprofundar a lesão tecidual.

Como avaliar a gravidade de uma queimadura elétrica?

Queimaduras elétricas são frequentemente comparadas a 'icebergs': a lesão cutânea visível (pontos de entrada e saída) costuma ser pequena em relação ao dano tecidual profundo (músculos e nervos). A passagem da corrente gera calor interno intenso, podendo causar rabdomiólise e síndrome compartimental. Portanto, uma pequena ferida externa não exclui lesões graves subjacentes, exigindo monitorização cardíaca e vigilância de mioglobinúria.

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