FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Assinale a opção correta, acerca das queimaduras.
Reposição volêmica no queimado → 50% do volume calculado nas primeiras 8h pós-trauma.
A ressuscitação volêmica inicial no grande queimado utiliza cristaloides (preferencialmente Ringer Lactato), com metade do volume infundido nas primeiras 8 horas contadas a partir do momento da lesão, visando perfusão tecidual adequada.
O manejo inicial do paciente queimado foca na manutenção da estabilidade hemodinâmica através da reposição de fluidos, já que a perda da barreira cutânea e a resposta inflamatória sistêmica levam a um extravasamento maciço de plasma para o interstício (choque distributivo e hipovolêmico). A Fórmula de Parkland (4ml x kg x %SCQ) foi o padrão por décadas, mas diretrizes atuais como as do ATLS sugerem iniciar com 2ml/kg/%SCQ em adultos para evitar a 'ressuscitação excessiva' (fluid creep). A lesão por inalação é um fator complicador crítico, pois aumenta significativamente a necessidade de fluidos devido ao aumento da resposta inflamatória sistêmica e edema pulmonar. O ajuste do volume deve ser dinâmico, guiado estritamente pelo débito urinário e sinais vitais, evitando fórmulas rígidas que não considerem a resposta individual do paciente.
A regra clássica (Parkland ou Brooke modificada) estabelece que o volume total estimado para as primeiras 24 horas deve ser dividido em duas partes: 50% do volume deve ser administrado nas primeiras 8 horas e os 50% restantes nas 16 horas seguintes. É fundamental ressaltar que o cronômetro para as primeiras 8 horas começa no momento da queimadura, e não na admissão hospitalar. Se o paciente chega com atraso, o volume das primeiras 8 horas deve ser infundido mais rapidamente para compensar o tempo perdido.
O débito urinário é o principal parâmetro clínico para monitorar a eficácia da ressuscitação volêmica. Em adultos, o alvo é de 0,5 ml/kg/hora. Em crianças com menos de 30 kg, o alvo é maior, geralmente entre 0,5 a 1,0 ml/kg/hora. Valores persistentemente baixos indicam necessidade de aumentar a taxa de infusão, enquanto valores excessivos podem levar a edema pulmonar e síndrome compartimental, exigindo redução cuidadosa do volume.
Crianças pequenas possuem reservas limitadas de glicogênio e maior superfície corporal em relação ao peso. Por isso, além do volume de ressuscitação calculado pela área queimada (geralmente 3 ml/kg/%SCQ), elas necessitam de fluidos de manutenção contendo glicose (como Soro Glicosado 5%) para prevenir hipoglicemia. O cristaloide de escolha para a reposição da perda volêmica continua sendo o Ringer Lactato, mas a monitorização da glicemia capilar é obrigatória nesse grupo.
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