IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Sobre as lesões traumáticas na infância, assinale a afirmativa incorreta.
Queimaduras elétricas graves → lesão muscular profunda e risco de síndrome compartimental; debridamento é essencial.
Queimaduras elétricas em crianças são graves, causando lesão muscular profunda e alto risco de síndrome compartimental. A remoção do tecido desvitalizado (debridamento) e, se necessário, a fasciotomia, são práticas habituais e cruciais para preservar a função e evitar complicações, contrariando a ideia de que não se remove tecido para evitar perda funcional.
As lesões traumáticas na infância representam um desafio significativo na medicina pediátrica, sendo as queimaduras uma das causas mais comuns de morbidade. As queimaduras elétricas, em particular, são de extrema gravidade, pois a corrente elétrica pode causar danos teciduais profundos e extensos, muitas vezes desproporcionais à lesão cutânea visível. A energia elétrica é convertida em calor ao passar pelos tecidos, resultando em necrose muscular e vascular, com alto risco de rabdomiólise e insuficiência renal aguda. Uma complicação grave e frequente das queimaduras elétricas de partes moles é a síndrome compartimental. Devido ao edema e à necrose muscular, a pressão dentro dos compartimentos fasciais aumenta, comprometendo a perfusão e podendo levar à isquemia e necrose de nervos e músculos. Nesses casos, a remoção do tecido desvitalizado (debridamento) e a realização de fasciotomias de emergência são procedimentos habituais e essenciais para descompressão, preservação da viabilidade dos membros e prevenção de perda funcional. A afirmação de que a remoção do tecido comprometido não constitui mais prática habitual é incorreta, pois a intervenção cirúrgica é frequentemente necessária para salvar o membro e a vida do paciente. Outras lesões traumáticas importantes na infância incluem a submersão, que apresenta um prognóstico tipicamente bimodal (bom ou muito ruim), e as lesões por inalação em queimaduras, que devem ser sempre suspeitadas em pacientes que estiveram confinados em ambientes com fumaça. O manejo adequado dessas condições requer um entendimento aprofundado de suas particularidades fisiopatológicas e das intervenções terapêuticas apropriadas.
As queimaduras elétricas podem causar lesões profundas e extensas, mesmo com pouca lesão cutânea externa. Complicações incluem lesão muscular profunda, rabdomiólise, insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas, lesões neurológicas e alto risco de síndrome compartimental.
A remoção do tecido desvitalizado (debridamento) é crucial para remover o tecido necrótico que pode servir como fonte de infecção, liberar toxinas (como mioglobina na rabdomiólise) e aliviar a pressão em caso de síndrome compartimental. É uma prática habitual para preservar a função e evitar complicações graves.
Deve-se suspeitar de lesão por inalação em todos os casos em que o paciente tenha estado confinado em um ambiente com fumaça, ou se apresentar queimaduras faciais, vibrissas nasais queimadas, rouquidão, escarro carbonáceo ou estridor, pois isso indica comprometimento das vias aéreas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo