Queimaduras Profundas em Crianças: Manejo e Curativos

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2017

Enunciado

Criança de 5 anos, vítima, há 2 dias, de escaldo por água quente que caiu do fogão, em região do tórax, é acompanhada em hospital geral. Ao exame, apresenta queimadura de 2% da superfície corpórea, de coloração amarelo nacarado claro, e outra de 2% da superfície corpórea, de coloração amarelo mais escurecido. Qual é a conduta mais adequada para o caso, neste momento? 

Alternativas

  1. A) Curativos abertos, para se evitar infecção, até eventual ressecção e enxertia de pele.
  2. B) Curativos oclusivos, para se evitar infecção, até eventual ressecção e enxertia de pele.
  3. C) Ressecção cirúrgica de toda a lesão, para se evitar infecção e programar enxertia de pele.
  4. D) Ressecção cirúrgica da área mais escura, para se evitar infecção e programar enxertia de pele.

Pérola Clínica

Queimadura profunda/terceiro grau (amarelo nacarado/escurecido) → curativos abertos para avaliação e preparo para enxertia.

Resumo-Chave

As queimaduras descritas (amarelo nacarado claro e amarelo mais escurecido) sugerem graus profundos (2º grau profundo ou 3º grau), que geralmente necessitam de desbridamento e enxertia. Curativos abertos permitem a inspeção contínua da lesão, facilitam a avaliação da profundidade e a identificação precoce de infecção, sendo uma abordagem inicial adequada para preparar a área para intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

As queimaduras em crianças são acidentes comuns e podem ter consequências devastadoras. A avaliação inicial da profundidade e extensão da queimadura é fundamental para determinar a gravidade e a conduta adequada. Queimaduras de segundo grau profundo e terceiro grau são caracterizadas por lesão da derme e/ou tecidos mais profundos, com aspectos clínicos como coloração pálida, amarelada ou esbranquiçada, e perda da sensibilidade. O manejo inicial de queimaduras profundas em crianças visa a estabilização do paciente, controle da dor, prevenção de infecção e preparo da ferida para o tratamento definitivo. Curativos abertos, embora menos comuns para queimaduras superficiais, podem ser utilizados em queimaduras profundas para facilitar a observação diária da lesão, avaliar a progressão da necrose e identificar precocemente sinais de infecção, especialmente em áreas que necessitarão de desbridamento e enxertia. A ressecção cirúrgica e a enxertia de pele são os tratamentos definitivos para queimaduras de terceiro grau e muitas de segundo grau profundo, pois essas lesões não cicatrizam espontaneamente ou o fazem com cicatrizes hipertróficas e contraturas. O momento da cirurgia depende da estabilidade do paciente e das condições da ferida, sendo precedido por um período de preparo com curativos adequados e controle da infecção.

Perguntas Frequentes

Como classificar a profundidade de uma queimadura?

Queimaduras são classificadas em 1º grau (epiderme, dor, eritema), 2º grau superficial (derme papilar, bolhas, dor intensa), 2º grau profundo (derme reticular, bolhas rompidas, menos dor, coloração pálida/amarelada) e 3º grau (toda a espessura da pele, indolor, esbranquiçada/carbonizada).

Qual a importância da avaliação da superfície corpórea queimada em crianças?

A porcentagem da superfície corpórea queimada (SCQ) é crucial para o cálculo da fluidoterapia (fórmula de Parkland) e para determinar a necessidade de internação em centro de queimados.

Quais os princípios do tratamento de queimaduras de 2º grau profundo e 3º grau?

O tratamento envolve limpeza da ferida, desbridamento de tecidos desvitalizados, controle da dor, prevenção de infecção e, frequentemente, enxertia de pele para fechamento da ferida e melhor cicatrização.

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