INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Paciente, com 29 anos de idade, procura o pronto-socorro local em virtude de queimadura com água quente na coxa direita, ocorrida há 10 minutos enquanto preparava café. Queixa-se de dores no local da queimadura. Informa ter dado à luz há dois anos e o cartão de acompanhamento da gestante mostra que todo o esquema vacinal foi realizado adequadamente. A paciente está consciente, orientada, eupneica, hidratada, normocorada e afebril, Frequência cardíaca = 79 bpm, Pressão arterial = 120x80 mmHg. Ao exame local apresenta flictenas, eritema e edema em face anterior de coxa direita. Qual a conduta para o caso descrito?
2º grau → Limpeza + Analgesia + Prata + Manter flictenas (se íntegras e pequenas).
Queimaduras de 2º grau (espessura parcial) apresentam flictenas e dor intensa. O manejo envolve limpeza, analgesia escalonada e curativos tópicos com antimicrobianos, como a sulfadiazina de prata.
O atendimento inicial ao queimado foca na interrupção do processo térmico, resfriamento da lesão (com água corrente, não gelo) e estabilização hemodinâmica. Queimaduras de segundo grau atingem a epiderme e parte da derme, caracterizando-se por dor severa devido à exposição de terminações nervosas. A analgesia deve ser vigorosa, muitas vezes iniciando-se por via parenteral no pronto-socorro. A limpeza deve ser feita com soro fisiológico ou clorexidina degermante suave, evitando soluções citotóxicas como PVPI no leito da ferida aberta.
A conduta sobre flictenas é debatida, mas a recomendação clássica para pequenas bolhas íntegras é não rompê-las, pois o fluido biológico atua como um curativo natural, protegendo o leito da ferida contra infecções e reduzindo a dor. No entanto, se as bolhas forem muito grandes, em áreas de articulação, ou se estiverem rotas/tensas, o debridamento cuidadoso pode ser necessário para permitir a aplicação de antimicrobianos tópicos e facilitar a cicatrização.
A sulfadiazina de prata a 1% é o padrão-ouro para o tratamento tópico de queimaduras de segundo e terceiro graus. Ela possui ação antimicrobiana de amplo espectro, agindo contra Gram-positivos, Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e fungos. Além de prevenir a colonização bacteriana, ela mantém o leito da ferida úmido, o que favorece a reepitelização. Deve ser evitada em pacientes com alergia a sulfa ou em áreas de face (pelo risco de argiria/pigmentação).
A avaliação do status vacinal é obrigatória em todo paciente com queimadura, que é considerada uma ferida tetanogênica. Se o paciente tiver o esquema vacinal completo e a última dose há menos de 5 anos (para feridas graves) ou 10 anos (para feridas leves), não é necessária nova dose. No caso clínico apresentado, a paciente tinha o esquema completo da gestação recente, portanto, não necessitava de reforço imediato.
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