UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025
Homem de 39 anos chega ao pronto-atendimento após sofrer um acidente de trabalho em uma indústria química. Relata que respingou uma substância líquida diretamente em ambos os olhos durante o manuseio de produtos de limpeza. Queixa-se de intensa dor ocular, sensação de queimação, lacrimejamento e dificuldade para abrir os olhos, além de fotofobia e baixa acuidade visual. Nega doenças oculares ou sistêmicas. Ao exame físico, observa-se hiperemia conjuntival intensa e edema de pálpebras em ambos os olhos. Não é possível realizar a avaliação do fundo de olho devido ao intenso desconforto do paciente. Qual a conduta inicial mais adequada para este paciente?
Queimadura química ocular → lavagem imediata e abundante com SF 0,9% por no mínimo 30 min.
Em casos de queimadura química ocular, a prioridade absoluta é a lavagem ocular imediata e abundante com solução salina fisiológica ou água, por pelo menos 30 minutos. O objetivo é diluir e remover o agente químico, minimizando o tempo de contato e a profundidade da lesão, que pode ser devastadora para a visão.
As queimaduras químicas oculares são emergências oftalmológicas graves que podem resultar em perda visual permanente se não forem tratadas de forma imediata e adequada. Elas são classificadas como alcalinas ou ácidas, sendo as alcalinas geralmente mais perigosas devido à sua capacidade de saponificar as membranas celulares e penetrar profundamente nos tecidos oculares, causando necrose liquefativa. As queimaduras ácidas tendem a causar necrose de coagulação, que pode limitar a penetração, mas ainda assim são muito graves. A conduta inicial em uma queimadura química ocular é a lavagem ocular imediata e abundante. Não se deve perder tempo tentando identificar o agente químico ou buscar soluções neutralizantes específicas. A prioridade é a diluição e remoção mecânica do agente. A irrigação deve ser realizada com solução salina fisiológica (0,9%) ou, na sua ausência, com água corrente limpa, por um período mínimo de 30 minutos, ou até que o pH da superfície ocular (verificado com papel de pH) retorne a valores normais (7,0-7,4). Após a lavagem inicial, o paciente deve ser encaminhado para avaliação oftalmológica especializada. O tratamento subsequente pode incluir cicloplégicos para aliviar o espasmo ciliar e a dor, antibióticos tópicos para prevenir infecção, esteroides tópicos para reduzir a inflamação (com cautela, devido ao risco de retardo na cicatrização e perfuração), e lubrificantes. O prognóstico depende da extensão da lesão, da rapidez e eficácia da lavagem inicial.
A lavagem ocular imediata é crucial para diluir e remover o agente químico da superfície ocular, minimizando o tempo de contato e a penetração do agente nos tecidos. Isso reduz significativamente a extensão e a gravidade da lesão, que pode levar à cegueira.
A lavagem deve ser realizada de forma contínua e abundante por, no mínimo, 30 minutos, ou até que o pH ocular se normalize (entre 7,0 e 7,4). A solução ideal é a salina fisiológica (0,9%), mas na ausência desta, água corrente limpa deve ser utilizada sem hesitação.
Atrasar a lavagem aumenta o tempo de contato do agente químico, permitindo maior penetração e dano tecidual, com risco de necrose, perfuração e cegueira. Usar soluções neutralizantes sem conhecimento do agente pode gerar reações exotérmicas, liberando calor e agravando a lesão ocular.
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