Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021
Criança de 4 anos foi admitida em unidade de terapia intensiva há 6 horas, devido a queimadura térmica acometendo 50% da superfície corpórea. Em relação ao tratamento dessa criança, assinale a alternativa correta.
Queimaduras circunferenciais profundas → risco de síndrome compartimental → escarotomia descompressiva precoce.
Queimaduras de espessura total e circunferenciais, especialmente em extremidades ou tronco, podem levar à síndrome compartimental, comprometendo a perfusão distal ou a ventilação. A escarotomia é um procedimento salvador que deve ser realizado precocemente para aliviar a pressão.
O manejo de crianças com grandes queimaduras é um desafio complexo que exige uma abordagem multidisciplinar e conhecimento aprofundado. A avaliação inicial deve focar na estabilização do paciente, controle da via aérea, ressuscitação volêmica e analgesia adequada. A extensão e profundidade da queimadura são cruciais para o planejamento terapêutico e prognóstico. A ressuscitação hídrica é vital, utilizando fórmulas como a de Parkland adaptada para pediatria, com monitorização rigorosa do débito urinário e sinais vitais. Distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos são comuns, mas a administração de glicose e potássio na fase aguda deve ser cautelosa devido à hiperglicemia e hipercalemia transitórias. A dor é um componente significativo e requer analgesia potente, frequentemente com opioides, de forma contínua. Um dos pontos mais críticos é o reconhecimento e manejo da síndrome compartimental, especialmente em queimaduras circunferenciais de espessura total. A escara rígida impede a expansão dos tecidos edemaciados, comprometendo a perfusão. A escarotomia descompressiva precoce é um procedimento de emergência que pode salvar a extremidade ou a vida do paciente, sendo um conhecimento essencial para residentes que atuam em emergências e terapia intensiva.
A escarotomia é indicada em queimaduras de espessura total e circunferenciais que comprometem a circulação distal (em extremidades) ou a ventilação (no tronco), devido ao risco de síndrome compartimental.
Os sinais incluem dor intensa e desproporcional, parestesias, diminuição da sensibilidade, palidez, diminuição ou ausência de pulsos distais e enchimento capilar lentificado na área afetada.
A antibioticoprofilaxia de rotina não demonstrou benefício na prevenção de infecções em grandes queimados e pode levar à seleção de bactérias multirresistentes, mascarando infecções reais. O tratamento é direcionado a infecções estabelecidas.
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