Queimadura Circunferencial: Escarotomia Torácica Urgente

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 70 anos, lavrador, foi vítima de acidente com chamas. Deu entrada no HUT apresentando queimaduras de 3º grau em face, pescoço e tronco, totalizando 40% da superfície corporal queimada. Em insuficiência respiratória franca, foi prontamente intubado, porém apresentava dessaturação progressiva com redução da expansibilidade pulmonar. A conduta para resolução do quadro deve ser:

Alternativas

  1. A) Traqueostomia.
  2. B) Reposição volêmica segundo fórmula de Parkland.
  3. C) Escarotomia torácica.
  4. D) Aumento de parâmetros da ventilação, como PEEP e FIO2.
  5. E) Nebulização com adrenalina e broncodilatadores.

Pérola Clínica

Queimadura circunferencial de tronco + ↓ expansibilidade torácica → Escarotomia torácica urgente para restaurar ventilação.

Resumo-Chave

Queimaduras de terceiro grau circunferenciais no tronco podem levar à formação de uma escara rígida que restringe a expansão torácica, causando insuficiência respiratória. A escarotomia torácica é um procedimento de emergência para aliviar essa pressão e permitir a ventilação adequada.

Contexto Educacional

Grandes queimaduras, especialmente as de terceiro grau e circunferenciais, representam um desafio clínico significativo e podem levar a complicações graves e potencialmente fatais. A queimadura de terceiro grau destrói todas as camadas da pele, resultando em uma escara rígida e inelástica. Quando essa escara envolve o tronco de forma circunferencial, ela pode atuar como um garrote, impedindo a expansão da parede torácica e, consequentemente, a ventilação pulmonar adequada. O paciente do caso apresenta queimaduras de 3º grau em tronco, insuficiência respiratória franca, dessaturação progressiva e redução da expansibilidade pulmonar, um quadro clássico de síndrome compartimental torácica induzida por queimadura. Nesta situação, a ventilação mecânica, mesmo com parâmetros elevados, pode ser ineficaz devido à restrição mecânica externa. A conduta de emergência para resolver essa restrição é a escarotomia torácica. Este procedimento consiste em incisões longitudinais na escara, geralmente nas linhas axilares médias, para liberar a tensão e permitir a expansão da caixa torácica. É um procedimento que deve ser realizado prontamente para evitar hipóxia grave e parada cardiorrespiratória. Outras medidas, como reposição volêmica (Parkland), são importantes no manejo geral do queimado, mas não resolvem a restrição mecânica respiratória aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de que uma queimadura circunferencial de tronco está causando restrição respiratória?

Sinais incluem aumento do trabalho respiratório, taquipneia, dessaturação, redução da expansibilidade torácica, pressão inspiratória de pico elevada no ventilador e cianose, indicando comprometimento da ventilação.

Como a escarotomia torácica alivia a insuficiência respiratória?

A escarotomia consiste em incisões longitudinais na escara rígida, geralmente nas linhas axilares médias, permitindo que a pele queimada se expanda e alivie a pressão sobre o tórax, restaurando a complacência pulmonar e a ventilação.

Quais são os riscos associados à escarotomia torácica?

Os riscos incluem sangramento, infecção, lesão de estruturas subjacentes e cicatrizes. No entanto, o benefício de restaurar a ventilação e prevenir hipóxia grave supera os riscos em casos de insuficiência respiratória iminente.

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