UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2018
Com relação ao trauma físico nos pacientes que recebem o primeiro atendimento nas unidades hospitalares, julguem o item que se segue. As queimaduras classifgicadas como de terceiro grau - espessura total - atingem somente a epiderme, a derme e estruturas profundas, e a queixa de dor relatada pelo paciente geralmente relaciona-se com a derme.
Queimadura 3º grau = Espessura total + Indolor (destruição de terminações nervosas).
Queimaduras de terceiro grau atingem todas as camadas da pele e tecidos profundos; a ausência de dor local é característica devido à destruição total dos receptores nervosos dérmicos.
A classificação das queimaduras é fundamental para determinar o manejo clínico, a necessidade de transferência para centros especializados e o prognóstico funcional. As queimaduras de terceiro grau representam o grau máximo de dano tecidual cutâneo, onde a barreira protetora do corpo é totalmente perdida. A fisiopatologia envolve a coagulação proteica imediata e a trombose de vasos sanguíneos dérmicos, levando à necrose de coagulação. Clinicamente, o erro comum é associar a gravidade da lesão à intensidade da dor. No entanto, o dano às fibras nervosas A-delta e C na derme profunda elimina a via de sinalização da dor. O tratamento dessas lesões foca na estabilização hemodinâmica (fórmula de Parkland), desbridamento precoce das escaras e cobertura cutânea definitiva. A compreensão da anatomia da pele e da localização dos seus anexos e receptores é essencial para que o médico no pronto-atendimento realize uma avaliação precisa da profundidade da queimadura.
A queimadura de terceiro grau, também chamada de espessura total, é caracterizada pela destruição completa da epiderme e de toda a derme, podendo atingir tecidos subcutâneos, músculos e ossos. Como os receptores sensoriais e as terminações nervosas livres responsáveis pela condução dos estímulos dolorosos estão localizados na derme, sua destruição total resulta em anestesia local. O paciente pode sentir dor nas áreas circundantes de queimaduras de primeiro ou segundo grau, mas a área de terceiro grau em si não apresenta sensibilidade dolorosa, tátil ou térmica, o que é um sinal clínico clássico para o diagnóstico de profundidade.
Visualmente, a queimadura de terceiro grau apresenta uma aparência esbranquiçada (nacarada), acinzentada ou carbonizada. A pele perde sua elasticidade natural e torna-se rígida, seca e com textura semelhante ao couro, formando o que chamamos de escara. Diferente das queimaduras de segundo grau, não há formação de bolhas (flictenas) e não ocorre o preenchimento capilar (branqueamento à pressão), pois a microcirculação dérmica foi completamente destruída. É uma lesão grave que não cicatriza espontaneamente a partir das bordas ou anexos cutâneos, exigindo quase sempre intervenção cirúrgica com enxertia.
A diferenciação baseia-se na sensibilidade e no aspecto do leito da ferida. A queimadura de 2º grau superficial é extremamente dolorosa, apresenta bolhas e leito rosado que empalidece à pressão. A de 2º grau profunda pode ter sensibilidade diminuída, mas ainda mantém alguma percepção. Já a de 3º grau é totalmente indolor ao toque de uma agulha ou gaze, tem aspecto seco e não empalidece à pressão. Além disso, os pelos se soltam facilmente na 3º grau porque o folículo piloso, situado na derme profunda, foi destruído. Essa distinção é vital para o planejamento cirúrgico e o prognóstico de cicatrização do paciente.
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