Quedas em Idosos: Investigação de Hipoperfusão Cerebral

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Dona Tereza tem 64 anos e realiza acompanhamento na unidade de saúde da família para morbidades crônicas bem controladas. Durante a entrevista em uma consulta médica de rotina relata que sofreu uma queda no domicílio há 2 semanas. Não foi necessário hospitalização e agora passa bem. Diante da multi-causalidade da ocorrência de quedas em idosos, qual a conduta adequada do médico:

Alternativas

  1. A) Avaliar a acuidade visual da paciente e encaminhá-la à oftalmologia, se necessário.
  2. B) Investigar hipoperfusão cerebral através de doppler de carótidas.
  3. C) Solicitar densitometria óssea a fim de descartar risco aumentado de fratura.
  4. D) Passar a atender a paciente através de visita domiciliar.

Pérola Clínica

Quedas em idosos: investigar causas multifatoriais, incluindo fatores cardiovasculares como hipoperfusão cerebral.

Resumo-Chave

A queda em idosos é um evento multifatorial. Embora a avaliação visual e de equilíbrio sejam cruciais, a investigação de causas cardiovasculares, como a hipoperfusão cerebral, é importante, especialmente se houver histórico de tontura ou síncope associada à queda.

Contexto Educacional

Quedas em idosos representam um grave problema de saúde pública, sendo a principal causa de lesões fatais e não fatais nessa população. A ocorrência de uma queda é um marcador de fragilidade e aumenta o risco de futuras quedas, lesões, institucionalização e mortalidade. A avaliação de um idoso que sofreu uma queda deve ser abrangente e multifatorial, buscando identificar os fatores de risco modificáveis. A etiologia das quedas é complexa e envolve a interação de fatores intrínsecos (relacionados ao indivíduo, como alterações sensoriais, musculoesqueléticas, neurológicas e cardiovasculares) e extrínsecos (ambientais). A investigação de causas cardiovasculares, como a hipoperfusão cerebral, é crucial, especialmente em quedas associadas a tontura, síncope ou pré-síncope. O Doppler de carótidas pode auxiliar na avaliação da perfusão cerebral em casos selecionados. A conduta adequada envolve uma avaliação geriátrica ampla, incluindo histórico detalhado da queda, revisão de medicamentos, exame físico completo (com avaliação de marcha, equilíbrio, acuidade visual e auditiva, pressão arterial ortostática) e exames complementares direcionados. O objetivo é identificar e intervir nos fatores de risco modificáveis para prevenir futuras quedas e suas consequências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para quedas em idosos?

Os fatores de risco são multifatoriais e incluem alterações visuais, distúrbios de equilíbrio e marcha, polifarmácia, hipotensão ortostática, doenças neurológicas, fraqueza muscular e fatores ambientais.

Quando a investigação de hipoperfusão cerebral deve ser considerada após uma queda em idoso?

Deve ser considerada quando a queda é inexplicada, recorrente, ou associada a sintomas como tontura, pré-síncope ou síncope, sugerindo uma causa cardiovascular ou cerebrovascular.

Além da hipoperfusão cerebral, quais outras causas cardiovasculares podem levar a quedas em idosos?

Outras causas incluem arritmias cardíacas (bradi ou taquiarritmias), hipotensão ortostática, estenose aórtica grave e insuficiência cardíaca, que podem levar a síncope ou pré-síncope.

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