Queda em Idosos: Manejo da Polifarmácia e Prevenção

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Uma idosa, 77 anos, viúva, aposentada, vive em uma casa de dois quartos com seus três filhos, duas nora e um netos. Apresenta hipertensão arterial sistêmica e está em uso diário de losartana 100 mg, atenolol 100 mg, hidroclorotiazida 25 mg e sinvastatina 40 mg. Refere zumbido persistente e episódios de tonteira, além de dor muscular com piora nos últimos dias. Há dois dias, ao tentar levantar de sua cama de manhã, apresentou síncope e permaneceu desacordada por alguns instantes. Ao acordar, tinha muita dor e edema no antebraço direito e foi levada ao serviço de emergência clínica por um de seus filhos, onde foi constatada fratura no punho direito. Foram realizadas analgesia e imobilização locais, assim como relatório de alta, que foi direcionado para a Unidade de Atenção Primária onde a paciente é acompanhada. O agente comunitário de saúde (ACS) mostra o relatório de alta do serviço de emergência ao médico e avisa que a paciente em questão está na Unidade, solicitando avaliação médica. Analise o caso e assinale a conduta correta a ser proposta pelo médico:

Alternativas

  1. A) Recomendar aos filhos por meio de um bilhete que restrinjam as atividades da paciente por conta de suas limitações físicas e não a deixem sair desacompanhada, tirando sua autonomia e solicitar exames complementares para investigar possível causa da queda.
  2. B) Avaliar a paciente no mesmo dia. Prescrever anti-inflamatórios para dor caso necessário e reagendar uma consulta para reavaliação da hipertensão em seis meses.
  3. C) Considerando que não há espaço em sua agenda para atendimento nos próximos dias, referenciar a paciente para especialistas em cardiologia e geriatria, uma vez que é uma paciente complexa e necessita de atenção especial.
  4. D) Avaliar a paciente no mesmo dia. Suspender medicações que podem causar vertigem, visando a diminuir o risco de queda. Reagendar consulta no próximo dias para que a paciente retorne acompanhada de um de seus filhos visando a pactuar intervenções conjuntas com a família.

Pérola Clínica

Queda em idoso com polifarmácia → revisar medicações (vertigem, hipotensão), avaliar ambiente e suporte familiar.

Resumo-Chave

Em idosos com quedas recorrentes ou síncope, a polifarmácia é um fator de risco importante. É essencial revisar a lista de medicamentos, buscando aqueles que podem causar hipotensão ortostática, vertigem ou outros efeitos adversos que aumentem o risco de queda, como betabloqueadores e diuréticos em doses elevadas. A abordagem deve ser integral, envolvendo a família.

Contexto Educacional

A queda em idosos é um evento comum e grave, associado a alta morbimortalidade, perda de autonomia e custos significativos para o sistema de saúde. A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), é um dos principais fatores de risco modificáveis para quedas e síncope nessa população, devido aos efeitos adversos como hipotensão ortostática, sedação e vertigem. A fisiopatologia da queda em idosos é multifatorial, envolvendo alterações fisiológicas do envelhecimento, comorbidades e, crucialmente, a interação medicamentosa. No caso apresentado, a paciente utiliza múltiplos anti-hipertensivos que podem causar hipotensão, e a sinvastatina pode causar mialgia, contribuindo para a dor muscular e limitação. O diagnóstico de síncope deve sempre levar à investigação de causas medicamentosas e cardiovasculares. A conduta mais adequada na Atenção Primária envolve uma avaliação imediata da paciente, com foco na revisão da farmacoterapia. Suspender ou ajustar medicações que aumentam o risco de queda (como atenolol e hidroclorotiazida em doses elevadas) é prioritário. Além disso, é fundamental o envolvimento da família para pactuar intervenções conjuntas, promover um ambiente seguro e garantir o acompanhamento contínuo, visando a prevenção de novas quedas e a melhoria da qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos comuns aumentam o risco de queda em idosos?

Medicamentos como anti-hipertensivos (especialmente diuréticos e betabloqueadores em doses altas), sedativos, antidepressivos, antipsicóticos e relaxantes musculares podem aumentar o risco de queda devido a efeitos como hipotensão ortostática, vertigem e sedação.

Qual a importância da avaliação da polifarmácia em idosos que caem?

A polifarmácia é um fator de risco modificável significativo para quedas. A revisão e desprescrição de medicamentos desnecessários ou de alto risco podem reduzir drasticamente a incidência de quedas e seus desfechos adversos.

Como a Atenção Primária pode atuar na prevenção de quedas em idosos?

A APS deve realizar uma avaliação geriátrica ampla, incluindo revisão medicamentosa, avaliação do ambiente domiciliar, orientação sobre exercícios para equilíbrio e força, e envolvimento familiar para suporte e monitoramento.

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