SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Lucia traz sua filha Ana, de 8 meses, em consulta, pois se preocupa por achá-la "muito magrinha". Ana nasceu a termo, sem intercorrências no pré-natal ou nascimento e com peso adequado e recebeu aleitamento materno exclusivo até seus 6 meses. Você acompanhou todo o pré-natal e consultas de puericultura, com evidência de bom vínculo entre a criança e sua família. Há cerca de 2 meses sua mãe iniciou introdução alimentar por conta própria, seguindo orientações da internet. Na carteirinha há registros das consultas anteriores que vinham seguindo padrão desde o seu nascimento com estatura/idade (E), peso/idade (P), perímetro cefálico/idade (PC) e IMC/idade entre Z-1 e Z-2. Na consulta de hoje a estatura e perímetro cefálico mantém-se na mesma curva, porém P e IMC encontram-se entre Z-2 e Z-3 e você identificou que há registro de pesagem na sala de vacinação há cerca de 1 mês com P entre Z-2 e Z-3. Sem outras alterações ao exame físico e com desenvolvimento neuropsicomotor adequado para idade, a paciente não apresenta histórico de intercorrências infecciosas. Diante do caso, além de orientar introdução alimentar, assinale a alternativa mais correta:
Queda de peso em lactente com E/I e PC/I normais + desenvolvimento adequado → reavaliação nutricional precoce (15 dias).
A queda na curva de peso, mesmo que de "adequado" para "baixo" (entre Z-1/Z-2 para Z-2/Z-3), sem comprometimento de estatura ou desenvolvimento, sugere problema nutricional, frequentemente relacionado à introdução alimentar inadequada. Nesses casos, a reavaliação em curto prazo é crucial para intervir antes de um agravamento.
A puericultura é fundamental para a vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil. A avaliação nutricional, baseada nos escores Z de peso/idade, estatura/idade, perímetro cefálico/idade e IMC/idade, permite identificar precocemente desvios. A queda na curva de peso, mesmo que o peso ainda esteja em uma faixa aceitável, é um sinal de alerta que exige atenção imediata, especialmente em lactentes onde a introdução alimentar complementar é um fator crítico. A fisiopatologia da queda de peso em lactentes frequentemente se relaciona a ingestão calórica insuficiente, seja por problemas na amamentação, introdução alimentar inadequada ou doenças subjacentes. No caso apresentado, a introdução alimentar por conta própria sugere uma causa nutricional. O diagnóstico precoce e a intervenção são cruciais para evitar desnutrição e comprometimento do desenvolvimento. O tratamento envolve orientações nutricionais detalhadas, correção de erros na introdução alimentar e, principalmente, um acompanhamento rigoroso. A reavaliação em 7 a 15 dias é essencial para verificar a adesão às orientações e a recuperação do ganho de peso. A investigação laboratorial e o encaminhamento para especialistas são reservados para casos que não respondem às intervenções iniciais ou que apresentam outros sinais de alerta.
Sinais de alerta incluem a queda de dois ou mais canais de escore Z, ou a passagem de uma faixa de peso para outra inferior (ex: de Z-1/Z-2 para Z-2/Z-3), mesmo que ainda dentro da normalidade ou baixo peso. A estagnação do crescimento também é um sinal importante.
A conduta inicial envolve a revisão detalhada da introdução alimentar, orientações nutricionais, avaliação do vínculo familiar e, crucialmente, uma reavaliação em curto prazo (geralmente 7 a 15 dias) para monitorar a resposta às intervenções.
A investigação laboratorial e o encaminhamento para especialista são indicados se a queda de peso persistir ou se agravar, se houver comprometimento da estatura ou do desenvolvimento neuropsicomotor, ou se houver sinais de doenças crônicas ou síndromes de má absorção.
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