CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 43 anos, refere que, há 1 ano e meio, iniciou quadro de disfagia inicialmente para sólidos que evoluiu progressivamente para disfagia para alimentos pastosos, associada a regurgitação de alimentos não digeridos e tosse seca. Refere piora da regurgitação e tosse durante o decúbito, além de perda de 10kg no período. Seu exame físico cervical, torácico e abdominal não tem alterações relevantes. Solicitada endoscopia digestiva alta, esta evidenciou esofagite leve, discreta dilatação esofagiana, ausência de hérnia hiatal e discreta resistência do esfíncter esofagiano inferior (EEI) à insuflação com ar. Sobre o caso acima, assinale a alternativa INCORRETA:
Acalasia: disfagia progressiva + regurgitação. Padrão ouro diagnóstico = manometria esofágica.
A acalasia é um distúrbio motor esofágico caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico. O diagnóstico padrão ouro é a manometria esofágica de alta resolução, que demonstra essas alterações, enquanto a pHmetria não é o exame principal para seu diagnóstico.
A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela perda da peristalse no corpo esofágico. Essa condição leva a uma obstrução funcional do esôfago, resultando em acúmulo de alimentos e líquidos, dilatação esofágica e sintomas progressivos. A etiologia é multifatorial, com perda de neurônios inibitórios no plexo mioentérico esofágico, mas a causa exata ainda é desconhecida na maioria dos casos. O quadro clínico típico envolve disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, perda de peso e dor torácica. A endoscopia digestiva alta pode mostrar dilatação esofágica e resistência à passagem do aparelho pelo EEI, mas é essencialmente para excluir outras causas de disfagia. O esofagograma baritado revela o clássico 'bico de pássaro' e a dilatação esofágica. No entanto, o exame padrão ouro para o diagnóstico definitivo da acalasia é a manometria esofágica de alta resolução, que demonstra a ausência de relaxamento do EEI e a aperistalse do corpo esofágico. O tratamento da acalasia é paliativo e visa aliviar os sintomas reduzindo a pressão do EEI. As opções incluem abordagens endoscópicas, como a dilatação pneumática do EEI e a injeção de toxina botulínica, e abordagens cirúrgicas, como a miotomia de Heller (geralmente associada a uma fundoplicatura parcial para prevenir refluxo gastroesofágico). A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, idade do paciente e experiência do centro. É crucial diferenciar a acalasia de outras condições que causam disfagia e evitar erros diagnósticos, como confundir a manometria com a pHmetria.
Os sintomas clássicos da acalasia incluem disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos), regurgitação de alimentos não digeridos, perda de peso, dor torácica e, em alguns casos, tosse noturna devido à aspiração.
O esofagograma baritado é útil para visualizar a dilatação esofágica, o estreitamento do EEI (sinal do 'bico de pássaro') e a ausência de peristalse. Ele auxilia na avaliação do grau da doença e pode sugerir o diagnóstico, mas não é confirmatório.
As opções de tratamento visam reduzir a pressão do EEI e incluem abordagens endoscópicas (dilatação pneumática, injeção de toxina botulínica) e cirúrgicas (miotomia de Heller, que pode ser associada a fundoplicatura parcial para prevenir refluxo). A POEM (Miotomia Endoscópica Peroral) é uma técnica endoscópica mais recente e eficaz.
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