Fatores de Risco para Pterígio: O Papel da Radiação UV

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

Qual dos fatores abaixo é considerado de risco para o desenvolvimento do pterígio?

Alternativas

  1. A) Dieta pobre em vitaminas D e K
  2. B) Exposição à radiação ultravioleta
  3. C) Prurido ocular
  4. D) Hipercolesteronemia

Pérola Clínica

Exposição crônica à radiação UV → principal fator de risco para desenvolvimento de pterígio.

Resumo-Chave

A radiação ultravioleta (UV) induz mutações no DNA das células-tronco limbares e degeneração do colágeno conjuntival, resultando no crescimento fibrovascular invasivo sobre a córnea.

Contexto Educacional

O pterígio é uma condição degenerativa e proliferativa da superfície ocular, altamente prevalente em regiões tropicais e populações expostas ao sol (cinturão do pterígio). Sua patogênese envolve uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, sendo a radiação UV o fator modificável mais relevante. O exame biomicroscópico revela uma lesão triangular com ápice voltado para a córnea, frequentemente precedida por uma linha de depósito de ferro (linha de Stocker). O manejo inicial é conservador, focando na lubrificação e proteção solar. A intervenção cirúrgica deve ser bem planejada, pois a taxa de recorrência em técnicas simples (esclera nua) é inaceitavelmente alta, exigindo técnicas de recobrimento conjuntival para garantir o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo fisiopatológico da radiação UV no pterígio?

A radiação ultravioleta, especialmente a UV-B, atua como um agente mutagênico nas células-tronco do limbo esclerocorneano. Ela induz danos no gene supressor de tumor p53, levando à proliferação celular descontrolada. Além disso, a exposição crônica causa degeneração elastótica do colágeno no estroma conjuntival (elastose actínica) e ativa metaloproteinases da matriz, que facilitam a invasão do tecido fibrovascular através da membrana de Bowman em direção ao centro da córnea. A localização nasal mais comum é explicada pela reflexão da luz lateral pela ponte nasal, que foca a radiação no limbo nasal (efeito de lente).

Quais são as indicações cirúrgicas para o pterígio?

A cirurgia de pterígio não é apenas estética. As principais indicações incluem: 1) Ameaça ao eixo visual (crescimento que se aproxima da zona óptica central); 2) Astigmatismo induzido significativo devido ao aplainamento da córnea pelo tecido; 3) Restrição da motilidade ocular em casos avançados; 4) Irritação crônica, inflamação recorrente ou desconforto que não responde ao tratamento clínico com lubrificantes ou corticoides tópicos leves; 5) Suspeita de degeneração maligna associada (neoplasia escamosa da superfície ocular).

Como prevenir a recorrência após a cirurgia?

A técnica cirúrgica padrão-ouro para reduzir a recorrência é a exérese do pterígio com transplante autólogo de conjuntiva ou transplante de limbo. O uso de adesivos de fibrina em vez de suturas pode reduzir a inflamação pós-operatória. Adicionalmente, em casos selecionados de alto risco, podem ser utilizados antimetabólitos como a Mitomicina C tópica ou intraoperatória, embora com cautela devido aos riscos de afinamento escleral. No pós-operatório a longo prazo, a proteção rigorosa contra radiação UV com óculos de sol de qualidade e chapéus é fundamental para evitar o estímulo de novas lesões.

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