CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Qual dos agentes abaixo é o que está, mais frequentementes, relacionado à infecção associada ao hordéolo?
Hordéolo = Infecção aguda estafilocócica das glândulas palpebrais (Zeis/Moll ou Meibomius).
O hordéolo é uma infecção bacteriana aguda, predominantemente causada por Staphylococcus aureus, que acomete as glândulas sebáceas das pálpebras.
O hordéolo é uma das patologias palpebrais mais frequentes na prática oftalmológica e clínica geral. Sua fisiopatologia envolve a obstrução do ducto glandular seguida de sobreinfecção bacteriana. O Staphylococcus aureus responde por mais de 90% dos casos isolados em culturas. É fundamental que o médico residente saiba diferenciar a fase aguda (hordéolo) da fase crônica (calázio). Enquanto o hordéolo requer medidas para drenagem de infecção, o calázio pode exigir infiltração de corticoides ou curetagem cirúrgica. A recorrência frequente de hordéolos deve alertar para condições subjacentes como blefarite crônica, rosácea ocular ou, em pacientes idosos, a possibilidade de carcinoma de glândulas sebáceas mascarado como inflamação recorrente.
O hordéolo externo é uma infecção das glândulas de Zeis ou de Moll, localizadas na margem palpebral anterior, associadas aos folículos pilosos dos cílios. Já o hordéolo interno é uma infecção das glândulas de Meibomius, localizadas na placa tarsal. Ambas as condições apresentam-se como nódulos eritematosos, edemaciados e dolorosos. O hordéolo interno tende a ser mais doloroso e pode evoluir para um calázio se a inflamação se tornar crônica e granulomatosa após a resolução da fase infecciosa aguda.
O Staphylococcus aureus é um comensal comum da pele e da flora conjuntival. Ele possui uma afinidade particular por tecidos glandulares e folículos pilosos. No contexto das pálpebras, a estase lipídica nas glândulas sebáceas (frequentemente associada à blefarite ou disfunção das glândulas de Meibomius) cria um ambiente propício para a proliferação bacteriana. O S. aureus produz toxinas e enzimas que facilitam a invasão tecidual e a formação de abscessos localizados, característicos do hordéolo.
O tratamento baseia-se primariamente em compressas mornas aplicadas 3 a 4 vezes ao dia por 10-15 minutos. O calor ajuda a liquefazer as secreções glandulares e promove a drenagem espontânea. Antibióticos tópicos (pomadas) podem ser utilizados para prevenir a disseminação para outros folículos ou para tratar blefarite associada. Antibióticos sistêmicos são reservados para casos de celulite pré-septal secundária ou hordéolos múltiplos e recorrentes. A expressão forçada da lesão deve ser evitada para não disseminar a infecção.
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