Quadrantanopsia Superior: Localização da Lesão e Diagnóstico

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Qual a localização mais provável da lesão em um paciente com quadrantanopsia homônima superior incongruente no campo visual tipo pie in the sky.

Alternativas

  1. A) Lobo occipital
  2. B) Lobo parietal
  3. C) Lobo temporal
  4. D) Quiasma óptico

Pérola Clínica

Quadrantanopsia superior homônima ("pie in the sky") → Lesão no lobo temporal (Alça de Meyer).

Resumo-Chave

As fibras das radiações ópticas inferiores, que carregam informações do campo visual superior, fazem um trajeto anterior no lobo temporal (Alça de Meyer) antes de seguirem para o córtex occipital.

Contexto Educacional

A neuroanatomia da via visual é um tema recorrente em provas de residência e fundamental na prática clínica. O trajeto das fibras nervosas desde o quiasma óptico até o córtex estriado (V1) segue uma organização retinotópica rigorosa. As radiações ópticas dividem-se em dois feixes principais: o feixe inferior (temporal) e o feixe superior (parietal). Lesões no lobo temporal, como tumores primários, metástases ou ressecções cirúrgicas para epilepsia refratária, podem comprometer a Alça de Meyer. O diagnóstico é realizado através da perimetria (campo visual), onde o padrão homônimo superior alerta o clínico para a necessidade de neuroimagem direcionada ao lobo temporal contralateral ao defeito.

Perguntas Frequentes

O que é a Alça de Meyer e sua relevância clínica?

A Alça de Meyer é composta pelas fibras inferiores das radiações ópticas que se projetam anteriormente no lobo temporal a partir do corpo geniculado lateral. Clinicamente, lesões que afetam essa estrutura resultam em um defeito de campo visual característico: a quadrantanopsia homônima superior contralateral, frequentemente descrita como 'pie in the sky'. Este achado é crucial para a localização neuroanatômica de tumores, infartos ou traumas no lobo temporal, diferenciando-os de lesões no lobo parietal, que afetariam as radiações ópticas superiores e causariam defeitos no campo inferior.

Por que a quadrantanopsia temporal é descrita como incongruente?

A incongruência refere-se à falta de simetria perfeita entre os defeitos de campo visual de ambos os olhos. Em lesões das radiações ópticas, especialmente as mais anteriores no lobo temporal, as fibras correspondentes de cada olho ainda não estão perfeitamente organizadas de forma espacialmente idêntica. Quanto mais posterior for a lesão na via visual (aproximando-se do córtex occipital), mais congruente tende a ser o defeito. Portanto, lesões no lobo temporal frequentemente apresentam um grau de incongruência maior do que lesões puramente occipitais.

Qual a diferença entre quadrantanopsia superior e inferior?

A diferença fundamental reside na localização da lesão ao longo das radiações ópticas. A quadrantanopsia superior (pie in the sky) indica lesão nas fibras inferiores que passam pelo lobo temporal (Alça de Meyer). Já a quadrantanopsia inferior (pie on the floor) indica lesão nas fibras superiores que atravessam o lobo parietal. Essa distinção é um dos pilares da semiologia neurológica para diferenciar patologias temporais de parietais em pacientes com queixas visuais ou déficits neurológicos focais.

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