Púrpura Trombocitopênica Trombótica: Diagnóstico e Sinais Chave

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente em tratamento para infecção do trato urinário com quinolona apresenta quadro súbito de desorientação, anemia com presença de esquizócitos no sangue periférico e trombocitopenia, qual a principal suspeita diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Anemia hemolítica autoimune
  2. B) Púrpura trombocitopenia trombótica
  3. C) Púrpura trombocitopenica imune
  4. D) Anemia de doença crônica
  5. E) Púrpura de Henoch Schonlein

Pérola Clínica

Anemia hemolítica microangiopática + trombocitopenia + disfunção neurológica → Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT).

Resumo-Chave

A tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos), trombocitopenia e sintomas neurológicos (como desorientação) é altamente sugestiva de Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT). A PTT é uma emergência médica que requer diagnóstico rápido e tratamento imediato, frequentemente associada à deficiência da enzima ADAMTS13 ou a gatilhos como medicamentos.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) é uma microangiopatia trombótica rara, mas grave, caracterizada pela formação de trombos em pequenos vasos sanguíneos, levando à isquemia e disfunção de órgãos. Sua importância clínica reside na alta mortalidade se não tratada prontamente. A PTT pode ser congênita (síndrome de Upshaw-Schulman) ou adquirida, sendo esta última frequentemente autoimune, com anticorpos contra a enzima ADAMTS13, ou induzida por medicamentos, como as quinolonas mencionadas na questão. É um diagnóstico crucial para residentes de hematologia, clínica médica e emergência. A fisiopatologia da PTT envolve a deficiência grave da enzima ADAMTS13, responsável por clivar multímeros grandes do fator de von Willebrand (FvW). Sem essa clivagem, os multímeros ultragrandes de FvW persistem, promovendo agregação plaquetária espontânea e formação de trombos microvasculares. Isso resulta na tríade clássica: anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos no sangue periférico), trombocitopenia e disfunção de órgãos (neurológica, renal, cardíaca, gastrointestinal). A desorientação é um sintoma neurológico comum que deve levantar a suspeita. O tratamento da PTT é uma emergência médica e consiste principalmente na plasmaférese terapêutica (troca plasmática), que remove os anticorpos e repõe a ADAMTS13. Corticosteroides e rituximabe também podem ser utilizados. O prognóstico é significativamente melhorado com o tratamento precoce, mas a PTT pode ser recorrente. Pontos de atenção incluem a necessidade de iniciar o tratamento antes da confirmação laboratorial da deficiência de ADAMTS13 devido à gravidade da doença, e a monitorização de complicações como acidente vascular cerebral e insuficiência renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT)?

Os principais achados incluem trombocitopenia (plaquetas baixas) e anemia hemolítica microangiopática, evidenciada por esquizócitos (fragmentos de hemácias) no esfregaço de sangue periférico, aumento de LDH e bilirrubina indireta, e haptoglobina diminuída.

Qual a relação entre o uso de quinolonas e a PTT?

Embora rara, a PTT pode ser induzida por medicamentos, incluindo algumas quinolonas. A fisiopatologia envolve a formação de anticorpos contra a enzima ADAMTS13 ou toxicidade direta, levando à agregação plaquetária e formação de microtrombos.

Como diferenciar PTT de outras causas de trombocitopenia e anemia?

A PTT se diferencia pela presença da tríade clássica (trombocitopenia, anemia hemolítica microangiopática com esquizócitos e disfunção de órgãos como neurológica ou renal). Outras condições como PTI não apresentam hemólise microangiopática, e a SHU (Síndrome Hemolítico-Urêmica) tem maior envolvimento renal e geralmente ocorre após infecção por E. coli produtora de toxina Shiga.

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