FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Criança com 2 anos de idade, levada ao pronto-socorro com quadro de manchas roxas no corpo, especialmente em membros inferiores, além de epistaxe; sem febre, adinamia ou dores ósseas. Antecedente recente de infecção viral em vias aéreas superiores. Ao exame com bom estado geral, petéquias em todo corpo, hematomas em coxas e pernas, restante exame físico normal. Exames laboratoriais: Hb 11g/dL, Ht 33%, reticulócitos 1%, leucócitos 6900/mm3 (basófilos 1%, eosinófilos 1%, segmentados 31%, linfócitos típicos 57% e atípicos 5%, monócitos 5%); plaquetas 8.000/mm3; morfologia de hemácias e plaquetas normais; DHL e função renal normais. Qual o diagnóstico mais provável neste caso?
Trombocitopenia isolada grave (<20.000) + pós-infecção viral + criança + ausência de outras citopenias → Púrpura Trombocitopênica Imunológica (PTI).
A Púrpura Trombocitopênica Imunológica (PTI) é uma causa comum de trombocitopenia isolada em crianças, frequentemente precedida por uma infecção viral. Caracteriza-se por sangramentos cutâneos e mucosos devido à destruição autoimune de plaquetas, com medula óssea normal.
A Púrpura Trombocitopênica Imunológica (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é a causa mais comum de trombocitopenia isolada em crianças. Caracteriza-se pela destruição acelerada de plaquetas mediada por autoanticorpos, frequentemente desencadeada por uma infecção viral prévia. A doença é mais comum em crianças entre 2 e 5 anos, com um pico de incidência no outono e inverno. O diagnóstico da PTI é de exclusão. A apresentação clínica típica inclui sangramentos cutâneos (petéquias, equimoses, hematomas) e mucosos (epistaxe, gengivorragia), sem outros sintomas sistêmicos. Os exames laboratoriais mostram trombocitopenia isolada e grave (geralmente <20.000/mm³), com hemograma completo normal para as demais séries e ausência de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico. O tratamento da PTI em crianças depende da gravidade do sangramento e da contagem plaquetária. Muitos casos leves (<20.000/mm³ sem sangramento significativo) podem ser apenas observados. Para sangramentos mais graves ou contagens plaquetárias muito baixas, opções incluem imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou corticosteroides. O prognóstico é geralmente excelente, com resolução espontânea em 80% dos casos em até 6 meses.
A PTI é caracterizada por trombocitopenia isolada, geralmente grave (<20.000/mm³), com hemoglobina e leucócitos normais. A morfologia das hemácias e plaquetas é normal, e o mielograma (se realizado) mostra megacariócitos normais ou aumentados.
Em crianças, a PTI é frequentemente idiopática, mas muitos casos são precedidos por uma infecção viral (respiratória ou gastrointestinal) nas semanas anteriores, sugerindo um mecanismo autoimune desencadeado pela infecção.
A PTI se diferencia pela trombocitopenia isolada, sem outras citopenias ou sinais sistêmicos de doença grave. Leucemia aguda, por exemplo, geralmente apresenta anemia, leucopenia/leucocitose com blastos e sintomas como febre e dores ósseas. Púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) cursa com anemia hemolítica microangiopática e disfunção renal/neurológica.
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