PTI Pediátrica: Manejo e Conduta Inicial em Crianças

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Criança, 9 anos de idade, sexo feminino, é internada com diagnóstico de púrpura trombocitopênica idiopática (trombocitopenia imune). A criança apresenta petéquias, sem sangramento ativo. A contagem de plaquetas revela 40.000 plaquetas. A melhor conduta inicial, dentre as abaixo, para este caso é:

Alternativas

  1. A) corticoide e imunoglobulina humana intravenosa.
  2. B) imunoglobulina humana intravenosa.
  3. C) pulso de corticoide.
  4. D) observação clínica e seguimento laboratorial.
  5. E) transfusão de plaquetas.

Pérola Clínica

PTI pediátrica com plaquetas > 20-30.000 e sem sangramento ativo → observação.

Resumo-Chave

Em crianças com Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) e contagem de plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³, sem sangramento ativo ou grave, a conduta inicial mais adequada é a observação clínica e o seguimento laboratorial. A maioria dos casos pediátricos é autolimitada e se resolve espontaneamente.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos e/ou pela produção inadequada de plaquetas. Em crianças, a PTI é frequentemente aguda e autolimitada, muitas vezes precedida por uma infecção viral. A apresentação clínica varia de petéquias e equimoses leves a sangramentos graves, embora estes últimos sejam raros. O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada (plaquetas < 100.000/mm³) na ausência de outras causas identificáveis. A contagem de plaquetas é um fator importante na decisão terapêutica, mas o principal determinante é a presença e a gravidade do sangramento. Crianças com contagem de plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³ e sem sangramento ativo ou com sangramento leve (apenas petéquias, equimoses) geralmente não necessitam de tratamento específico, sendo a observação clínica e o seguimento laboratorial a conduta mais apropriada. A intervenção farmacológica, como o uso de corticosteroides (prednisona, dexametasona) ou imunoglobulina humana intravenosa (IGIV), é reservada para casos com sangramento clinicamente significativo ou contagens de plaquetas muito baixas (<10.000-20.000/mm³) que conferem alto risco de sangramento grave, como hemorragia intracraniana. A transfusão de plaquetas é raramente indicada e restrita a situações de sangramento com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar tratamento na PTI pediátrica?

O tratamento na PTI pediátrica é geralmente indicado para crianças com sangramento clinicamente significativo (mucocutâneo grave, epistaxe recorrente, hematomas extensos) ou com contagem de plaquetas muito baixa (<10.000-20.000/mm³) mesmo sem sangramento, devido ao risco de hemorragia intracraniana.

Qual a diferença entre PTI aguda e crônica em crianças?

A PTI aguda é mais comum em crianças, geralmente ocorre após uma infecção viral e se resolve espontaneamente em até 6 meses. A PTI crônica persiste por mais de 12 meses e é menos frequente na infância, requerendo acompanhamento e, por vezes, tratamento a longo prazo.

Por que a transfusão de plaquetas não é a primeira opção na PTI?

A transfusão de plaquetas na PTI é geralmente ineficaz e reservada para sangramentos com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas pelos autoanticorpos. O tratamento visa reduzir a destruição de plaquetas ou aumentar sua produção.

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