SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023
Pré-escolar com 3 anos de idade, masculino, comparece ao PA por manchas roxas no corpo há 7 dias e nas últimas 24 horas apresentou uma mancha na boca. A mãe relata que a criança não apresentou mais nenhum outro sinal ou sintoma e que tem histórico de rinite alérgica. Na avaliação o médico identificou criança com bom estado geral, sem palidez de pele e mucosas, hidratado, eupneico, ausência de icterícia, ativo e reativo. Ausência de linfoadenomegalia e abdome sem visceromegalias. Na pele havia petéquias, púrpuras e equimoses em membros inferiores, abdome e tronco, além de presença de petéquias em palato e pequeno coágulo na gengiva. Solicitou um hemograma e o resultado apresentou os seguintes achados laboratoriais: Hemácias 4.2x 10⁶; Hemoglobina 12.1 g/dl; Hematócrito 36%; leucócitos totais: 8.000/mm³, com segmentados 40%; eosinófilos 10%; basófilos 0%; linfócitos típicos 46%, linfócitos atípicos 0%; monócitos 4%; plaquetas: 18.000/mm³ ao analisar o quadro clínico e os achados laboratoriais, considerando a hipótese diagnóstica mais plausível, qual a conduta MAIS RECOMENDADA a ser seguida nesse contexto:
PTI pediátrica com plaquetas < 20.000 e sangramento mucocutâneo leve → Prednisona oral e acompanhamento ambulatorial.
O quadro clínico de um pré-escolar com sangramento mucocutâneo (petéquias, púrpuras, equimoses, sangramento em palato/gengiva) e trombocitopenia isolada grave (plaquetas 18.000/mm³) é altamente sugestivo de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) aguda. Em crianças com PTI e sangramento leve a moderado, a prednisona oral é a conduta inicial mais recomendada, com acompanhamento ambulatorial.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é a causa mais comum de trombocitopenia isolada em crianças, caracterizada pela destruição autoimune de plaquetas. A PTI aguda pediátrica geralmente ocorre após uma infecção viral e tem um curso autolimitado na maioria dos casos. É crucial para residentes reconhecerem o quadro clínico e a conduta adequada. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à destruição acelerada das plaquetas pelo sistema reticuloendotelial, principalmente no baço. O diagnóstico é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada em um paciente com bom estado geral, sem outras alterações no hemograma (exceto plaquetas) e sem visceromegalias ou linfoadenomegalias que sugiram outras doenças. O tratamento da PTI pediátrica depende da gravidade do sangramento e da contagem de plaquetas. Para sangramento mucocutâneo leve a moderado e plaquetas < 20.000-30.000/mm³, a prednisona oral é a primeira linha de tratamento. Imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou anti-Rh(D) podem ser usados em casos mais graves ou quando há contraindicação a corticoides. Transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos com risco de vida. A maioria dos casos se resolve espontaneamente em semanas a meses.
O diagnóstico de PTI em crianças é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada (plaquetas < 100.000/mm³) na ausência de outras causas de plaquetopenia, com hemograma normal exceto pela contagem de plaquetas, e ausência de visceromegalias ou linfoadenomegalias.
Para PTI pediátrica com plaquetas < 20.000-30.000/mm³ e sangramento mucocutâneo leve a moderado, a conduta inicial mais recomendada é a prednisona oral na dose de 1 a 3 mg/kg/dia, com acompanhamento ambulatorial.
A transfusão de plaquetas na PTI pediátrica é reservada para situações de sangramento grave e com risco de vida (ex: hemorragia intracraniana, sangramento gastrointestinal maciço) ou antes de procedimentos invasivos, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas.
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