Púrpura Trombocitopênica Imune em Crianças: Diagnóstico Chave

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Olívia, 4 anos de idade, foi levada à Unidade de pronto atendimento com história de quatro dias com manchas arroxeadas no corpo. Hoje apresentou sangramento nasal. A mãe refere que sua filha apresentou febre e coriza, com diagnóstico de quadro viral, há duas semanas. Nega uso de medicações ou história de doenças crônicas. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, presença de equimoses esparsas em tronco e membros, sem hepatoesplenomegalia ou linfonodomegalias. Hemograma: hemoglobina: 12,5 g/dL; leucócitos: 6.000/mm³; plaquetas: 20.000/mm³. Hipótese diagnóstica mais provável para Olívia, dentre as abaixo, é:

Alternativas

  1. A) Meningococcemia.
  2. B) Púrpura de Henoch-Schönlein.
  3. C) Púrpura trombocitopênica trombótica.
  4. D) Púrpura trombocitopênica imune.
  5. E) Síndrome hemolítico-urêmica.

Pérola Clínica

Criança < 5 anos, história viral recente, plaquetopenia isolada grave (<20.000), equimoses/epistaxe, bom estado geral → Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI).

Resumo-Chave

Este caso é clássico de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) em crianças: uma criança em bom estado geral, com história de infecção viral recente, que desenvolve sangramentos cutâneos e mucosos devido a uma plaquetopenia isolada e grave. A ausência de outras citopenias ou sinais sistêmicos afasta outras causas mais graves.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma condição hematológica comum na pediatria, caracterizada pela destruição autoimune de plaquetas, resultando em plaquetopenia. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por uma infecção viral (geralmente 1 a 4 semanas antes), que atua como um gatilho imunológico. A doença afeta principalmente crianças entre 2 e 10 anos. Clinicamente, a PTI manifesta-se com sangramentos cutâneos (petéquias, equimoses) e mucosos (epistaxe, gengivorragia), que podem variar de leves a graves. O exame físico geralmente é normal, exceto pelas manifestações hemorrágicas; a ausência de hepatoesplenomegalia ou linfonodomegalia é um achado importante para o diagnóstico diferencial. O hemograma revela plaquetopenia isolada, com as demais séries (hemoglobina e leucócitos) dentro dos limites da normalidade. O diagnóstico de PTI é de exclusão, após afastar outras causas de plaquetopenia. A maioria dos casos em crianças é autolimitada, com resolução espontânea em até 6 meses. O tratamento é individualizado, baseado na gravidade do sangramento e na contagem de plaquetas, podendo incluir observação, imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou corticosteroides. É crucial diferenciar a PTI de outras condições como leucemias, anemias aplásticas ou síndromes de falência medular, que apresentariam outras alterações no hemograma.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) em crianças?

O diagnóstico de PTI é clínico e laboratorial, caracterizado por plaquetopenia isolada (contagem de plaquetas <100.000/mm³) em uma criança com sangramentos cutâneos ou mucosos, sem outras causas evidentes de trombocitopenia e com hemograma normal nas demais séries.

Qual a relação entre infecções virais e o desenvolvimento de PTI em crianças?

Infecções virais, especialmente do trato respiratório superior, são gatilhos comuns para PTI em crianças. Acredita-se que a resposta imune à infecção leve à produção de autoanticorpos que atacam as plaquetas, resultando em sua destruição.

Como diferenciar PTI de Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS)?

A PTI se manifesta com plaquetopenia isolada e sangramentos, enquanto a PHS é uma vasculite que cursa com púrpura palpável, artralgia, dor abdominal e, por vezes, nefrite, mas com contagem de plaquetas geralmente normal ou elevada.

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