SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Lactente de 13 meses de idade, sexo feminino, é admitido em emergência pediátrica por apresentar ‘manchas’ na pele há 4-5 dias, segundo a genitora. Nega febre ou quaisquer outros sintomas. Criança está com apetite preservado, ativa e totalmente em dia com o calendário vacinal nas datas corretas. Pediatra, ao examinar a lactente, observou que ela está corada, com várias petéquias em braços, pernas e tronco, porém, nenhum hematoma; também não observou hepatoesplenomegalia. Palpou apenas discretos linfonodos em região cervical posterior, menores que 2 cm, móveis, fibroelásticos e indolores. Decidiu solicitar um hemograma, sendo a única alteração encontrada uma contagem de plaquetas de 29.000/mm³.Sobre a principal hipótese diagnóstica dessa criança, analise as assertivas abaixo:I. Uma hipótese provável, envolvida na fisiopatologia da plaquetopenia, é um mecanismo imunológico, por reação cruzada às proteínas plaquetárias, desencadeadas após a imunização contra sarampo-rubéola-caxumba, realizada pela lactente cerca de um mês antes do evento atual.II. Nesse momento, a realização de mielograma (e não de biópsia de medula óssea) está indicada em função do tratamento que será instituído para a lactente.III. Deve-se internar em UTI para realizar a transfusão de plaquetas, metilprednisolona e imunoglobulina humana endovenosas, em função dos baixos níveis plaquetários e do maior risco de sangramento do sistema nervoso central.Podemos afirmar que
PTI aguda em lactente pós-MMR → mecanismo imunológico, manejo conservador se assintomático.
A assertiva I está correta, pois a PTI aguda em crianças pode ser desencadeada por infecções virais ou vacinas (como a MMR), por um mecanismo imunológico de reação cruzada. As assertivas II e III estão incorretas, pois o mielograma não é rotineiro na PTI típica e a transfusão de plaquetas não é indicada para plaquetopenia isolada sem sangramento ativo grave, mesmo com contagens baixas, devido ao risco de destruição.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou inibição de sua produção, resultando em plaquetopenia. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por infecções virais ou vacinação, sendo a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba - MMR) um gatilho conhecido, geralmente ocorrendo 1 a 4 semanas após a imunização. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à sua destruição pelo sistema reticuloendotelial. O diagnóstico é de exclusão, baseado na plaquetopenia isolada em um paciente com exame físico normal (exceto pelas petéquias/equimoses) e ausência de outras causas. O mielograma não é rotineiramente indicado, sendo reservado para casos atípicos, refratários ou suspeita de outras doenças hematológicas. O manejo da PTI em crianças é frequentemente conservador, especialmente se a criança está assintomática ou com sangramento leve, independentemente da contagem plaquetária, devido à natureza autolimitada da doença. Transfusões de plaquetas são geralmente contraindicadas, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas, e são reservadas para sangramentos graves com risco de vida. Corticosteroides ou imunoglobulina intravenosa (IVIG) são opções para sangramentos moderados a graves, visando reduzir a destruição plaquetária.
A vacina tríplice viral (MMR) é um gatilho conhecido para a PTI aguda em crianças, geralmente ocorrendo 1 a 4 semanas após a imunização. Acredita-se que seja devido a um mecanismo imunológico de reação cruzada, onde anticorpos produzidos contra o vírus da vacina atacam as plaquetas.
O mielograma não é rotineiramente indicado na PTI típica em crianças. É reservado para casos atípicos, como ausência de resposta ao tratamento, suspeita de outras doenças hematológicas (leucemia, aplasia medular) ou quando há outras citopenias associadas.
A transfusão de plaquetas é geralmente contraindicada na PTI, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas. É reservada apenas para situações de sangramento grave com risco de vida (ex: hemorragia intracraniana) ou antes de procedimentos cirúrgicos invasivos, e sempre em conjunto com outras terapias como imunoglobulina.
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