PTI Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento Inicial

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 7 anos, previamente hígida, retorna de viagem durante o feriado para o sítio da família com petéquias em tronco e equimoses em membros inferiores iniciadas há 4 dias acompanhada de epistaxe nasal. Não há relato de trauma, apresenta bom estado geral, sem febre ou outros sintomas associados. Realizado hemograma no PS: Hb: 13,0 g/dl, Ht: 37,5%, leucócitos globais: 12500/mm³, segmentados: 42%, linfócitos: 48%, monócitos 10%, plaquetas 15,000/mm³. Sobre o tratamento do caso em questão, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) os pais devem ser orientados sobre a melhora espontânea do quadro, não sendo necessária permanência no hospital.
  2. B) é recomendada internação em enfermaria hospitalar e parecer da cirurgia para realização de esplenectomia.
  3. C) é recomendada internação em UTI para realização de transfusão de plaquetas pelo risco de sangramento.
  4. D) é recomendada internação em enfermaria hospitalar e avaliação do hematologista para início de corticoterapia.

Pérola Clínica

Criança com trombocitopenia isolada grave e sangramento mucocutâneo → PTI aguda. Conduta: internação em enfermaria e corticoterapia.

Resumo-Chave

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) aguda em crianças, caracterizada por trombocitopenia isolada e sangramentos, geralmente é autolimitada, mas casos com plaquetas muito baixas e sangramento ativo requerem tratamento com corticosteroides ou IGIV e observação hospitalar.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos, resultando em trombocitopenia. Em crianças, a PTI aguda frequentemente segue uma infecção viral e é autolimitada, com resolução espontânea na maioria dos casos. A epidemiologia mostra um pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. O diagnóstico da PTI é de exclusão, baseado na presença de trombocitopenia isolada (contagem de plaquetas < 100.000/mm³) em um hemograma completo, com as demais linhagens celulares normais, e ausência de outras causas conhecidas de trombocitopenia. A apresentação clínica varia desde petéquias e equimoses leves até sangramentos mais graves, como epistaxe, gengivorragia e, raramente, hemorragia intracraniana. O bom estado geral e a ausência de febre são típicos da PTI, diferenciando-a de outras causas de trombocitopenia. A conduta terapêutica na PTI pediátrica depende da gravidade do sangramento e da contagem de plaquetas. Em crianças assintomáticas com plaquetas > 20.000-30.000/mm³, a conduta expectante pode ser adotada. No entanto, para pacientes com sangramento clinicamente significativo ou plaquetas < 10.000-20.000/mm³, o tratamento é recomendado. As opções de primeira linha incluem corticosteroides (prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa) e imunoglobulina humana intravenosa (IGIV), que agem modulando a resposta imune. A internação em enfermaria é geralmente indicada para observação e início do tratamento, enquanto a transfusão de plaquetas é reservada para situações de sangramento com risco de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) em crianças?

O diagnóstico de PTI em crianças é de exclusão, baseado em trombocitopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente com exame físico normal (exceto por sangramentos) e ausência de outras causas para a trombocitopenia.

Quando a corticoterapia é indicada no tratamento da PTI aguda em crianças?

A corticoterapia (geralmente prednisona oral) é indicada para crianças com PTI aguda que apresentam sangramento clinicamente significativo ou contagem de plaquetas muito baixa (<10.000-20.000/mm³), mesmo sem sangramento grave.

Por que a transfusão de plaquetas não é a primeira linha de tratamento na PTI aguda?

Na PTI, a destruição de plaquetas é mediada por autoanticorpos. Plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas. A transfusão é reservada para sangramentos com risco de vida ou antes de procedimentos cirúrgicos, e deve ser combinada com IGIV ou corticosteroides.

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