INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Um menino com 5 anos de idade, acompanhado da mãe, é atendido em unidade de saúde. A mãe relata o aparecimento abrupto de manchas arroxeadas indolores nos membros inferiores da criança há 2 dias, sem outras queixas. Há 1 mês, conta que o filho apresentou quadro de resfriado comum, para o qual fez uso somente de soro fisiológico para lavagem nasal. Nega uso recente de medicamentos ou antecedentes familiares relevantes. Ao exame clínico, o menino apresenta regular estado geral, corado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril e eupneico; baço palpável ao nível de rebordo costal esquerdo, presença de petéquias e equimoses indolores em membros inferiores. Exame de Fundo de Olho sem sinais de sangramento. Sem evidência de outros sangramentos ou outros achados clínicos relevantes. Os exames laboratoriais iniciais evidenciaram hemoglobina de 12,3 g/dL (valor de referência [VR]: 12,6 g/dL); hematócrito de 38% (VR: 37%); contagem de 5.700 leucócitos/mm³ (VR: 5.000-15.000/mm³), com 37% de segmentados, 44% de linfócitos, 1% de monócitos e contagem de plaquetas de 64.000/mm³ (VR: 150.000-450.000/mm³). Coagulograma com um tempo de tromboplastina de 12,5 segundos (VR: 10-14 segundos), 100% de atividade de protrombina e um tempo de tromboplastina ativada de 31 segundos (VR: 25-36 segundos). Considerando a principal hipótese diagnóstica para esse caso, qual deve ser a conduta terapêutica inicial?
PTI aguda infantil pós-viral, plaquetas > 20.000-30.000 e sem sangramento grave → observação ambulatorial.
O quadro clínico sugere Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) aguda pós-viral em criança. Com plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³ e ausência de sangramentos graves (como SNC), a conduta inicial é a observação clínica ambulatorial, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) aguda é a causa mais comum de trombocitopenia isolada em crianças, frequentemente precedida por uma infecção viral. É uma condição autoimune onde anticorpos destroem as plaquetas, levando a petéquias, equimoses e, raramente, sangramentos mais graves. A importância clínica reside no risco de hemorragias, embora a maioria dos casos seja benigna e autolimitada. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas plaquetárias, resultando em destruição acelerada das plaquetas no baço. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de trombocitopenia. Deve-se suspeitar em crianças com petéquias e equimoses, trombocitopenia isolada e coagulograma normal. A conduta terapêutica inicial depende da contagem plaquetária e da presença de sangramento. Para crianças com plaquetas > 20.000-30.000/mm³ e sem sangramento grave, a observação clínica ambulatorial é a conduta preferencial, pois a maioria se recupera espontaneamente em semanas a meses. Corticosteroides ou imunoglobulina são reservados para casos com sangramento clinicamente significativo ou plaquetas muito baixas.
O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado em trombocitopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente com exame físico normal (exceto pelas manifestações de sangramento) e ausência de outras causas de plaquetopenia.
A observação é indicada para crianças com PTI aguda que apresentam contagem de plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³ e ausência de sangramentos graves, como hemorragia intracraniana ou sangramento mucocutâneo extenso.
Sinais de alerta incluem sangramento mucocutâneo extenso, sangramento gastrointestinal, hematúria, ou qualquer evidência de sangramento intracraniano, independentemente da contagem plaquetária, exigindo intervenção imediata.
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