Dengue e PTI: Diagnóstico e Manejo da Plaquetopenia Grave

TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

ID: sexo masculino, 26 anos, autônomo, natural e residente de Campos dos Goytacazes-RJ. • QP: "febre, dor no corpo e sangramento na gengiva". • HDA: Paciente iniciou quadro há 3 semanas com febre, mialgia, artralgia, cefaléia, dor retroorbitária, náuseas, episódios de gengivorragia, hipotensão postural, exantema em braços e em membros inferiores. • HPP: Nega comorbidades e alergias. EXAME FÍSICO: Prostrado, bem orientado no tempo e espaço, hidratado, normocorado, afebril, acianótico, anictérico e eupneico em AA. • ACV: RCR em 2T BNF S/S PA: 90 x 60 mmHg FC: 59 bpm • AR: MVUA S/RA SPO2: 97% em AA • ABD: Flácido, depressível, peristalse presente, indolor à palpação, sem sinal de irritação peritoneal ou visceromegalias. • MMII: presença de equimoses, sem edemas, panturrilhas livres, pulsos pediosos bilateralmente presentes e simétricos. EXAMES LABORATORIAIS: | Exame | Resultados | Valores de referência | | ---------- | ---------: | --------------------- | | HB | 13,3 | 13 – 18 g/dL | | HT | 38,9% | 40 – 52% | | Leucócitos | 5.200 | 3.500 – 11.000/mm³ | | Plaquetas | 5.000 | 150.000 – 450.000/mm³ | | VHS | 9 | Até 8 mm/h | | AST | 79 | Até 40 U/L | | ALT | 170 | Até 41 U/L | EVOLUÇÃO: Paciente recebeu 15 unidades de plaquetas na Unidade de Terapia Intensiva, com piora da plaquetopenia. • Lab (03/05/2023): Plaquetas 3.000; • Coombs negativo; • Esfregaço de sangue periférico negativo; • Iniciado Prednisolona (1 mg/kg) em 07/05/2023 - por 4 dias. EXAMES LABORATORIAIS: Após 4 dias de corticoterapia: | Exame | Resultados | Valores de referência | | ---------- | ---------: | --------------------- | | HB | 12,4 | 13 – 18 g/dL | | HT | 36,9% | 40 – 52% | | Leucócitos | 8.500 | 3.500 – 11.000/mm³ | | Plaquetas | 79.000 | 150.000 – 450.000/mm³ | | VHS | 9 | Até 8 mm/h | Qual outra condição clínica foi associado pela infecção pelo vírus da dengue?

Alternativas

  1. A) Púrpura Trombocitopênica Imune.
  2. B) Infecção pelo HIV.
  3. C) Púrpura Trombocitopênica Trombótica.
  4. D) Coagulação Intravascular Disseminada. Caso 4

Pérola Clínica

Plaquetopenia grave refratária à transfusão + resposta a corticoide na dengue → PTI secundária.

Resumo-Chave

A dengue pode desencadear fenômenos autoimunes, como a PTI. A suspeita ocorre quando a queda de plaquetas é desproporcional ou persistente, respondendo bem a corticoides, ao contrário da plaquetopenia viral típica.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose que pode apresentar um espectro clínico variado, desde formas leves até febre hemorrágica e choque. A plaquetopenia é um marcador comum, mas casos de queda abrupta e severa (abaixo de 20.000/mm³) devem alertar para complicações. O caso clínico descreve um paciente com plaquetopenia crítica (5.000/mm³) que piorou após transfusão, sugerindo um mecanismo de destruição periférica imune. A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) secundária a infecções virais ocorre devido ao mimetismo molecular, onde o sistema imune produz anticorpos que cruzam com antígenos plaquetários. A resposta dramática à prednisolona (subida de 3.000 para 79.000 plaquetas em 4 dias) confirma a etiologia imune, diferenciando-a do consumo plaquetário habitual da fase de viremia da dengue.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a plaquetopenia da dengue da PTI secundária?

A plaquetopenia típica da dengue ocorre pela supressão transitória da medula óssea e consumo periférico, geralmente recuperando-se após a fase crítica da doença. Já a PTI secundária à dengue é mediada por anticorpos antiplaquetários (mimetismo molecular). Deve-se suspeitar de PTI quando a plaquetopenia é extremamente severa (< 10.000/mm³), não melhora com a evolução clínica da infecção viral ou é refratária a transfusões de plaquetas, apresentando rápida resposta ao uso de corticosteroides ou imunoglobulina.

Qual o papel da transfusão de plaquetas na dengue?

A transfusão de plaquetas na dengue não é recomendada de forma profilática, mesmo com contagens baixas, pois não previne sangramentos graves e pode aumentar o risco de complicações. Ela está indicada apenas em casos de sangramento persistente e grave (choque hemorrágico) ou quando há necessidade de procedimentos cirúrgicos urgentes. No contexto de PTI associada, a transfusão é ainda menos eficaz, pois os anticorpos destroem as plaquetas transfundidas rapidamente.

Quando iniciar corticoide em pacientes com Dengue?

O uso de corticoides não é indicado para o tratamento da dengue em si. No entanto, se houver forte suspeita de uma complicação autoimune associada, como a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) ou anemia hemolítica autoimune, a corticoterapia (como a prednisolona ou pulsoterapia com metilprednisolona) torna-se a base do tratamento para interromper a destruição celular mediada por anticorpos.

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