CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 28 anos, com história de sangramento oral durante a escovação dos dentes, equimoses pelo corpo sem causa aparente e hipermenorréia. Seu exame físico da cabeça, tórax e abdome não apresenta alterações dignas de nota. Não há massas ou visceromegalias abdominais palpáveis. Observam-se equimoses em joelhos e petéquias em membros inferiores. No seu hemograma, o hematócrito, a hemoglobina e o leucograma são normais, mas a contagem de plaquetas é de 22.000. Encaminhada para acompanhamento com o Hematologista, foi submetido a mielograma que evidenciou presença normal de megacariócitos e não foi observado sinal de malignidade. O Hematologista iniciou tratamento clínico com corticóides, porém obteve resposta não satisfatória, sendo encaminhado ao Cirurgião para avaliação da possibilidade de esplenectomia. Sobre o caso acima, assinale a alternativa CORRETA:
PTI refratária à corticoterapia → esplenectomia → vacinação pré-operatória essencial para encapsulados.
Pacientes submetidos à esplenectomia, especialmente por PTI refratária, perdem a função imune do baço e ficam suscetíveis a infecções por bactérias encapsuladas, exigindo vacinação pré-operatória.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção inadequada, resultando em trombocitopenia e risco de sangramento. Em pacientes com PTI crônica que não respondem adequadamente ao tratamento clínico inicial, como corticosteroides, a esplenectomia pode ser uma opção terapêutica eficaz, visando remover o principal local de destruição plaquetária e de produção de autoanticorpos. A esplenectomia, contudo, confere um risco aumentado de infecções graves, especialmente por bactérias encapsuladas, devido à perda da função imune do baço. O baço desempenha um papel vital na filtração de microrganismos e na produção de anticorpos, sendo crucial na resposta imune contra patógenos como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b e Neisseria meningitidis. A ausência do baço (asplenia funcional ou anatômica) torna o paciente suscetível à sepse fulminante pós-esplenectomia (OPSI). Para mitigar esse risco, a vacinação pré-operatória contra esses patógenos é mandatória, idealmente administrada pelo menos duas semanas antes da cirurgia para permitir uma resposta imune adequada. Além da vacinação, a profilaxia antibiótica contínua e a educação do paciente sobre os sinais de infecção são componentes essenciais do manejo pós-esplenectomia. Residentes devem dominar este protocolo para garantir a segurança e o bem-estar de pacientes submetidos a este procedimento.
O baço é um órgão linfóide crucial na defesa contra bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b e Neisseria meningitidis. Sua remoção leva à asplenia funcional, comprometendo a opsonização e a depuração desses microrganismos.
As vacinas recomendadas são contra Streptococcus pneumoniae (pneumocócica), Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Neisseria meningitidis (meningocócica). Idealmente, devem ser administradas pelo menos 2 semanas antes da cirurgia para permitir a formação de anticorpos.
A esplenectomia é considerada em casos de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) crônica refratária ao tratamento clínico inicial (geralmente corticosteroides e/ou imunoglobulina), quando há risco significativo de sangramento.
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