Púrpura Trombocitopênica Imune: Diagnóstico e Manejo Inicial

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 19 anos de idade, dá entrada no pronto-socorro queixando-se de gengivorragia leve, epistaxe leve e manchas arroxeadas em membros inferiores. Nega febre, piora do estado geral, perda ponderal, calafrios, náusea, vômitos, dor abdominal, dor articular. Nunca teve quadro semelhante. Há 2 semanas teve quadro de infecção de via aérea superior sem gravidade. A história familiar é irrelevante. Nega uso de medicações. Tem dados vitais normais, incluindo pressão arterial deitada e em pé. Ao exame da pele, notam-se púrpuras não palpáveis em MMII. O hemograma é normal, exceto por plaquetas de 11.000/mm3. O coagulograma é normal, bem como o restante da revisão laboratorial, que inclui sorologias virais. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA com o diagnóstico e conduta terapêutica.

Alternativas

  1. A) Púrpura de Henoch-Schönlein, conduta expectante.
  2. B) Crioglobulinemia mista, solicitar PCR para vírus da hepatite C.
  3. C) Púrpura trombocitopênica imune, considerar início de corticoide.
  4. D) Púrpura trombocitopênica trombótica, indicar plasmaférese precoce.

Pérola Clínica

PTI aguda: plaquetopenia isolada + sangramento mucocutâneo + infecção viral prévia → considerar corticoide.

Resumo-Chave

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é um diagnóstico de exclusão, caracterizado por trombocitopenia isolada e sangramento mucocutâneo. A história de infecção viral recente é comum, e a contagem plaquetária muito baixa com sangramento ativo ou risco de sangramento grave justifica o tratamento com corticoides.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos e/ou pela produção plaquetária insuficiente. É uma das causas mais comuns de trombocitopenia em adultos e crianças, com pico de incidência em jovens e idosos. Sua importância clínica reside no risco de sangramentos, que podem variar de leves (petéquias, equimoses, sangramentos mucocutâneos) a graves e potencialmente fatais (hemorragia intracraniana). O diagnóstico da PTI é de exclusão, baseado na presença de trombocitopenia isolada (geralmente <100.000/mm³) em um paciente com exame físico e outros exames laboratoriais (hemograma, coagulograma) normais, sem evidências de outras causas de plaquetopenia. A história de uma infecção viral recente, como uma infecção de via aérea superior, é um gatilho comum, especialmente em crianças e adultos jovens. A ausência de febre, hepatoesplenomegalia ou linfadenopatia ajuda a descartar outras condições. A conduta terapêutica na PTI depende da contagem plaquetária e da presença de sangramento. Em pacientes com plaquetas <30.000/mm³ ou sangramento clinicamente significativo, a primeira linha de tratamento são os corticoides (prednisona ou dexametasona), que modulam a resposta imune e diminuem a destruição plaquetária. Em casos de sangramento grave ou refratariedade, imunoglobulina intravenosa (IGIV) ou anti-Rh(D) podem ser utilizados. O prognóstico é geralmente bom, mas uma parcela dos pacientes pode evoluir para PTI crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI)?

A PTI é um diagnóstico de exclusão, caracterizado por trombocitopenia isolada (<100.000/mm³) na ausência de outras causas identificáveis de plaquetopenia. O hemograma e coagulograma são normais, exceto pela baixa contagem de plaquetas.

Quando iniciar o tratamento com corticoide na PTI?

O tratamento com corticoide é indicado para pacientes com PTI e plaquetas <30.000/mm³ ou na presença de sangramento clinicamente significativo, independentemente da contagem plaquetária. A prednisona oral é a primeira linha.

Como diferenciar PTI de Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT)?

A PTI cursa com trombocitopenia isolada e sangramento mucocutâneo. A PTT, por sua vez, é uma emergência hematológica com a 'pentade clássica': trombocitopenia, anemia hemolítica microangiopática, febre, disfunção renal e alterações neurológicas, exigindo plasmaférese imediata.

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