PTI Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial em Adolescentes

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 17 anos, pardo, estudante, procura atendimento em UPA com quadro de sangramento gengival ao escovar os dentes iniciado há 3 dias. Há 8 dias vinha percebendo equimoses frequentes nas pernas mas atribuiu aos treinos intensos para prova de triathlon Ironman. Há 1 dia vem observando urina avermelhada mas sem alteração de volume nem odor. Há 3 semanas apresentou quadro respiratório agudo, no segundo dia de sintomas coletou swab nasofaríngeo para PCR de vírus respiratórios que resultou negativo para coronavírus mas positivo para rinovírus. Traz um hemograma solicitado na UBS que mostrava:Hb 12,9; VG 37,2; VCM 90,6; HCM 29,5; leucócitos 4500, diferencial normal, plaquetas 35.000. Sobre o caso acima, assinale a alternativa correta sobre o provável diagnóstico e abordagem inicial:

Alternativas

  1. A) Leucemia mieloide aguda, indicado mielograma e imunofenotipagem para confirmação e programação terapêutica
  2. B) Púrpura trombocitopênica idiopática, iniciar prednisona oral de 0,5 a 2 mg/kg/dia até que as plaquetas aumentem para ≥ 30‐50 x 109/l, por 2 a 4 semanas e pesquisar hipertensão portal, doenças autoimunes, medicamentos em uso, infecções monolike a fim de excluir causa subjacente.
  3. C) Anemia falciforme em crise de falcização, indicado pulso de ciclofosfamida
  4. D) Trombocitopenia COVID-LIKE, indicado repetir RT-PCR para diagnóstico da COVID
  5. E) Mioglobinúria secundária a rabdomiólise por exercício extenuante, internar para hidratação venosa potente e monitoramento da função renal.

Pérola Clínica

Trombocitopenia aguda pós-viral com sangramentos mucocutâneos → PTI. Tratamento inicial = corticoide oral.

Resumo-Chave

O quadro clínico de sangramento mucocutâneo (gengival, equimoses, hematúria) associado a trombocitopenia isolada após infecção viral recente é altamente sugestivo de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI). A abordagem inicial para plaquetas < 30.000-50.000/µL e sangramento é a corticoterapia oral.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou inibição da produção plaquetária mediada por autoanticorpos. É uma das causas mais comuns de trombocitopenia isolada em crianças e adultos jovens, frequentemente desencadeada por infecções virais, como o rinovírus no caso apresentado. É crucial para o residente reconhecer os sinais de sangramento mucocutâneo e a plaquetopenia isolada no hemograma. O diagnóstico da PTI é de exclusão, exigindo a ausência de outras causas de trombocitopenia. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à sua destruição no sistema reticuloendotelial. A suspeita deve surgir em pacientes com sangramentos cutâneos ou mucosos e plaquetas < 100.000/µL sem outras alterações hematológicas. O tratamento inicial para PTI com plaquetas < 30.000-50.000/µL e sangramento ativo ou risco de sangramento é a corticoterapia oral (prednisona). A imunoglobulina intravenosa (IGIV) é uma alternativa para casos graves ou quando há contraindicação aos corticoides. É fundamental monitorar a resposta plaquetária e pesquisar causas secundárias subjacentes, como doenças autoimunes ou infecções crônicas, antes de firmar o diagnóstico de PTI primária.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) aguda?

A PTI aguda manifesta-se principalmente por sangramentos mucocutâneos, como petéquias, equimoses, sangramento gengival, epistaxe e, em casos mais graves, hematúria ou hemorragias internas. Geralmente ocorre após uma infecção viral.

Qual a conduta inicial para um paciente com PTI e plaquetas < 30.000/µL com sangramento?

A conduta inicial para PTI com plaquetas abaixo de 30.000-50.000/µL e sangramento ativo ou risco de sangramento é a corticoterapia oral, geralmente com prednisona. Em casos de sangramento grave, imunoglobulina intravenosa (IGIV) pode ser considerada.

Como diferenciar a PTI primária de trombocitopenias secundárias?

A diferenciação envolve uma anamnese detalhada para uso de medicamentos, histórico de doenças autoimunes ou infecções crônicas (como HIV, HCV), e exames complementares para excluir outras causas como lúpus, síndrome antifosfolípide, ou doenças da medula óssea.

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