Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Escolar, sexo feminino, com 6 anos de idade, é avaliada por hematomas espontâneos há 2 semanas, sem outros sintomas. Seu histórico médico é normal, e ela não toma remédios. Houve um quadro de "infecção de garganta com febre" há 1 mês, já totalmente resolvido. Ao exame físico, os sinais vitais são normais, não há linfadenopatia, hepatomegalia ou esplenomegalia. Há presença de petéquias em extremidades inferiores e pequenas equimoses esparsas. Nos exames solicitados, a hemoglobina e contagem de leucócitos são normais e a contagem de plaquetas de 25000/mm³; perfil tireoidiano: normal. Neste momento, a conduta correta é:
PTI infantil + Plaquetas > 20.000 + Sem sangramento grave = Observação clínica (Watch and Wait).
A PTI na infância é geralmente autolimitada. Em casos de sangramento cutâneo isolado e plaquetas acima de 20.000-30.000, o acompanhamento clínico sem intervenção farmacológica é a conduta padrão.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é a causa mais comum de trombocitopenia isolada na infância, frequentemente precedida por uma infecção viral. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos (IgG) contra antígenos da membrana plaquetária, levando à sua destruição esplênica. O diagnóstico é de exclusão, baseado em plaquetopenia isolada em paciente com bom estado geral. A conduta 'watch and wait' é segura para a maioria dos pacientes com contagens acima de 20.000/mm³ e apenas sintomas cutâneos, evitando os efeitos colaterais da terapia imunossupressora.
O tratamento (geralmente com Imunoglobulina IV ou Corticosteroides) é indicado quando há sangramento mucoso significativo (epistaxe grave, sangramento gastrointestinal) ou quando a contagem de plaquetas está criticamente baixa (geralmente < 10.000-20.000/mm³) associada a manifestações hemorrágicas além de petéquias/equimoses. O objetivo não é normalizar o número de plaquetas, mas sim parar sangramentos clinicamente relevantes.
Não. O mielograma é reservado para casos atípicos: presença de anemia ou leucopenia associadas, organomegalias (esplenomegalia), linfadenopatia generalizada, dor óssea, febre persistente ou quando o paciente não responde ao tratamento inicial. Em uma criança com plaquetopenia isolada e história clínica típica de PTI, o diagnóstico é clínico.
Excelente. Cerca de 80% das crianças apresentam remissão completa e espontânea em até 6 meses, independentemente do tratamento instituído. A forma crônica (duração > 12 meses) ocorre em apenas 15-20% dos casos, sendo mais comum em adolescentes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo