Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
Uma criança de sete anos de idade é levada ao pronto atendimento devido ao surgimento de petéquias e equimoses por todo corpo. O pai, que acompanhava a criança, nega traumas físicos e relata um quadro gripal há sete dias. Nega ingestão de medicamentos e, até opresente momento, a criança era hígida, sem história pregressa de doenças do sangue. Ao exame físico, a criança estava eupneica, sem alterações cardíacas, sem viceromegalias ou linfadenomegalias e com petéquias e equimoses em face, tronco e membros. Diante disso, foi solicitado um hemograma, cujos resultados são: Hb = 12.5g/dL; Ht = 38%; VCM = 78; leucócitos = 9.000 (N60% L30% M8% E2%); plaquetas = 80.000/mm³.Sobre esse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
Criança + petéquias/equimoses + trombocitopenia isolada pós-infecção viral = Púrpura Trombocitopênica Imune.
Uma criança com petéquias e equimoses, sem outras alterações no exame físico ou hemograma além de trombocitopenia isolada, especialmente após um quadro viral recente, tem um quadro clínico e laboratorial altamente sugestivo de Púrpura Trombocitopênica Imune.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos, resultando em trombocitopenia. É uma das causas mais comuns de trombocitopenia em crianças, frequentemente precedida por uma infecção viral aguda, como um quadro gripal. O quadro clínico típico da PTI em crianças inclui o surgimento súbito de petéquias, equimoses e, ocasionalmente, sangramentos mucosos (epistaxe, gengivorragia), sem outras alterações sistêmicas como visceromegalias ou linfadenomegalias. O hemograma revela trombocitopenia isolada (plaquetas < 100.000/mm³), com hemoglobina e leucócitos geralmente normais, e VCM normal. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de trombocitopenia. A maioria dos casos de PTI aguda em crianças é autolimitada, com recuperação espontânea em semanas a meses, e muitos pacientes não necessitam de tratamento específico, apenas observação. A internação para estender a propedêutica diagnóstica pode ser considerada para afastar outras causas, especialmente se houver atipias ou preocupação com sangramento. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos graves e com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas.
O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na presença de trombocitopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente sem outras causas óbvias de trombocitopenia, frequentemente precedida por uma infecção viral.
A maioria dos casos de PTI em crianças é autolimitada e não requer tratamento específico, apenas observação. O tratamento (corticosteroides, imunoglobulina) é reservado para sangramentos graves ou trombocitopenia muito acentuada com risco de sangramento.
Na PTI, a destruição de plaquetas é imune. Plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas pelos mesmos anticorpos. A transfusão é reservada para sangramentos com risco de vida, não para elevar o número de plaquetas de rotina.
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