INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2023
Jorge tem seis anos e é trazido pelo pai à consulta com relato do aparecimento de equimoses há três dias. Jorge não faz uso de nenhum medicamento, nunca foi internado e o único dado relevante na sua história é um quadro viral respiratório há duas semanas. O pai nega sangramentos de mucosas.Ao exame físico, Jorge está em bom estado geral, apresenta algumas petéquias (< 100 no total) e duas pequenas equimoses em tronco (< 3cm de diâmetro). O hemograma colhido na emergência demonstra apenas uma plaquetopenia de 35,000/microL. Segundo escore de Buchanan e Adix para púrpura trombocitopênica imune (PTI), o risco desta PTI e a conduta são:
PTI pediátrica pós-viral com sangramento leve (Grau I Buchanan-Adix) → conduta expectante.
A PTI em crianças, especialmente após infecção viral, frequentemente é autolimitada. O escore de Buchanan e Adix auxilia na estratificação do risco de sangramento, sendo que o Grau I indica risco mínimo e permite conduta expectante, evitando intervenções desnecessárias.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma condição autoimune caracterizada pela destruição de plaquetas, resultando em plaquetopenia e risco de sangramento. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por uma infecção viral, sendo autolimitada na maioria dos casos. A compreensão da fisiopatologia e da história natural da doença é crucial para o manejo adequado, evitando tratamentos desnecessários e seus potenciais efeitos adversos. O diagnóstico da PTI é de exclusão, baseado na plaquetopenia isolada em um paciente com exame físico compatível e ausência de outras causas. A estratificação do risco de sangramento é fundamental, e o escore de Buchanan e Adix é uma ferramenta útil para guiar a conduta. Este escore classifica a gravidade do sangramento, permitindo que casos de risco mínimo (Grau I) ou leve (Grau II) sejam manejados com conduta expectante, com observação cuidadosa. O tratamento da PTI em crianças é guiado pela gravidade do sangramento e não apenas pelo número de plaquetas. Enquanto casos graves podem exigir imunoglobulina intravenosa (IGIV) ou corticosteroides, a maioria das crianças com PTI e sangramento leve ou moderado se recupera espontaneamente em semanas a meses. O prognóstico geral é excelente, com baixa incidência de sangramentos graves e mortalidade.
O escore avalia a gravidade do sangramento, considerando número e tamanho de petéquias/equimoses, sangramento de mucosas e outros locais. Grau I, por exemplo, indica sangramento mínimo.
É apropriada em crianças com PTI aguda e sangramento leve (Grau I ou II no escore de Buchanan e Adix), especialmente após infecção viral, devido à alta taxa de remissão espontânea.
Sangramentos maiores, como epistaxe grave, hemorragia gastrointestinal, hematúria ou, mais criticamente, sangramento intracraniano, indicam PTI grave e requerem intervenção imediata.
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