FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022
Criança de 3 anos apresenta um exantema petequial e foi levada ao serviço de emergência. Não há febre ou outro sintoma, como sangramentos, além do exantema. Pais relataram a ocorrência de infecção de vias aéreas superiores viral há dois meses. Apresentava bom estado geral, sem febre, sem dor, sem perda de peso ou hipoatividade. Ausência de adenopatias, visceromegalias ou outras alterações no exame físico. Hemograma: ausência de anemia, leucocitose ou leucopenia, somente a contagem de plaquetas era de 23000 plaquetas/μL. O exame de esfregaço de sangue periférico (células vermelhas e brancas com morfologias normais). Qual dos tratamentos seria o mais indicado para a paciente?
PTI aguda em criança com plaquetas >20.000-30.000/μL e sem sangramento grave → Observação clínica é a conduta inicial.
Em crianças com Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) de início recente, sem sangramentos graves e com contagem de plaquetas acima de 20.000-30.000/μL, a conduta inicial mais adequada é a observação clínica e laboratorial, devido à alta taxa de remissão espontânea.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção inadequada de megacariócitos, resultando em trombocitopenia. Em crianças, a PTI aguda é a forma mais comum, geralmente benigna e autolimitada, com pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. É uma das causas mais frequentes de trombocitopenia isolada na infância e sua importância reside na necessidade de diferenciar casos leves que requerem apenas observação de casos com risco de sangramento grave. A fisiopatologia da PTI envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas de superfície das plaquetas, levando à sua opsonização e destruição pelo sistema reticuloendotelial, principalmente no baço. Em crianças, é frequentemente desencadeada por infecções virais recentes. O diagnóstico é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada em um hemograma completo, com esfregaço de sangue periférico normal (exceto pela baixa contagem de plaquetas) e ausência de outras causas de trombocitopenia. Deve-se suspeitar em crianças com petéquias ou equimoses sem outros sintomas sistêmicos. O tratamento da PTI em crianças depende da gravidade do sangramento e da contagem de plaquetas. Na maioria dos casos de PTI aguda com plaquetas acima de 20.000-30.000/μL e sem sangramento significativo, a observação clínica e laboratorial é a conduta inicial mais adequada, pois a remissão espontânea ocorre em 70-80% dos casos. Intervenções como imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou corticosteroides são reservadas para sangramentos graves ou plaquetas muito baixas com alto risco. O prognóstico é geralmente excelente, com a maioria das crianças se recuperando completamente.
A PTI em crianças geralmente se manifesta com petéquias, equimoses e, em casos mais graves, sangramentos de mucosas (epistaxe, gengivorragia). É comum a ausência de febre ou outros sintomas sistêmicos, e o hemograma é normal exceto pela trombocitopenia.
O tratamento medicamentoso (como imunoglobulina intravenosa ou corticosteroides) é geralmente reservado para crianças com sangramento clinicamente significativo, sangramento intracraniano (raro) ou contagens de plaquetas muito baixas (<10.000-20.000/μL) com alto risco de sangramento.
A PTI aguda em crianças é frequentemente precedida por uma infecção viral (especialmente de vias aéreas superiores) ou vacinação, que desencadeia uma resposta autoimune com produção de anticorpos contra as plaquetas, levando à sua destruição.
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