Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015
Menina de 3 anos, 14 kg, é levada à consulta por apresentar, subitamente, sufusões hemorrágicas pelo corpo. Ao exame físico, apresentava bom estado geral e encontrava-se ativa, afebril e normocorada. Além de petéquias e equimoses disseminadas, foi palpado o baço a 3 cm da reborda costal esquerda, linha hemiclavicular. Foram solicitados exames, que mostraram: HB = 11,5 g%, com VCM e HCM normais; leucócitos de 9.110/mm³, com 30% de segmentados, 5% de eosinófilos, 4% de monócitos e 615 de linfócitos. Plaquetas de 10.000/mm³. A partir desses dados, é CORRETO afirmar que:
PTI pediátrica com sangramento mucoso → Corticoide ou Imunoglobulina IV.
Em crianças com PTI e sangramento de mucosas, a primeira linha de tratamento inclui corticoides ou imunoglobulina intravenosa (IVIG) para elevar rapidamente a contagem de plaquetas e controlar a hemorragia. A transfusão de plaquetas é geralmente reservada para sangramentos graves e com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma desordem autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção inadequada de plaquetas, resultando em trombocitopenia. É a causa mais comum de trombocitopenia isolada em crianças, com pico de incidência entre 2 e 5 anos, frequentemente precedida por uma infecção viral. A apresentação clínica varia de petéquias e equimoses leves a sangramentos graves, como epistaxe, gengivorragia e, raramente, hemorragia intracraniana. O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente com exame físico normal (exceto pelas manifestações hemorrágicas) e ausência de outras causas de trombocitopenia. O hemograma geralmente é normal, exceto pela baixa contagem de plaquetas. Um mielograma não é rotineiramente necessário, a menos que haja achados atípicos ou suspeita de malignidade, como leucemia. A esplenomegalia leve pode ocorrer em até 10% dos casos de PTI. O tratamento da PTI em crianças depende da gravidade do sangramento e da contagem de plaquetas. Em casos de sangramento mucoso ou trombocitopenia grave (<20.000-30.000/mm³), corticoides (prednisona) ou imunoglobulina intravenosa (IVIG) são as terapias de primeira linha para elevar rapidamente as plaquetas. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas. A esplenectomia é uma opção para PTI crônica refratária, não para a fase aguda.
Sinais de alerta incluem petéquias, equimoses, sangramentos de mucosas (epistaxe, gengivorragia) e, em casos graves, hemorragias internas, geralmente com bom estado geral e ausência de febre.
IVIG é indicada em casos de sangramento ativo, trombocitopenia grave ou quando é necessária uma elevação rápida da contagem de plaquetas, especialmente em sangramentos de mucosas ou risco de hemorragia intracraniana.
A esplenectomia é uma opção para PTI crônica refratária ao tratamento medicamentoso, geralmente após 12 meses de doença e falha de outras terapias, e não é uma conduta inicial para PTI aguda.
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