PTI Infantil: Diagnóstico e Manejo da Trombocitopenia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um pré-escolar com 3 anos de idade, previamente hígido, é atendido no pronto-socorro. A mãe relata que seu filho apresentou manchas no corpo há 2 dias. Além disso, refere que a criança esteve resfriada no mês anterior e que melhorou após 5 dias. Durante o exame físico, estava afebril, alerta, com múltiplas petéquias em membros e tronco, pequenos hematomas em joelhos, ausência de visceromegalias ou linfonodomegalia. O exame de esfregaço de sangue periférico mostra plaquetas de 57 000/mm³ (valor de referência: 150 000 a 450 000/mm³), com macroplaquetas; células vermelhas e brancas com morfologia e quantidade normais. Nesse caso, o diagnóstico provável e a conduta adequada são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) leucemia; aspiração e biópsia de medula óssea.
  2. B) púrpura trombocitopênica idiopática; seguimento clínico.
  3. C) púrpura trombocitopênica idiopática; corticoide em altas doses.
  4. D) leucemia; exames de citometria de fluxo e imuno-histoquímicos.

Pérola Clínica

PTI infantil pós-viral com plaquetas >20-30 mil e sem sangramento grave → seguimento clínico é a conduta inicial.

Resumo-Chave

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) em crianças frequentemente se manifesta após uma infecção viral, com trombocitopenia isolada e macroplaquetas. Se a contagem de plaquetas for >20.000-30.000/mm³ e não houver sangramento grave, a conduta inicial é o seguimento clínico, pois muitos casos são autolimitados.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é a causa mais comum de trombocitopenia isolada em crianças. Caracteriza-se pela destruição autoimune de plaquetas e/ou inibição de sua produção. A PTI aguda infantil é frequentemente precedida por uma infecção viral (resfriado, varicela) nas semanas anteriores, sugerindo um mecanismo imunológico desencadeado. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à sua destruição acelerada no sistema reticuloendotelial, principalmente no baço. O diagnóstico é clínico e laboratorial, de exclusão. Apresenta-se com petéquias, equimoses e, menos frequentemente, sangramentos mucosos. O hemograma mostra trombocitopenia isolada, com as demais linhagens celulares normais, e a presença de macroplaquetas no esfregaço sanguíneo é um achado comum e sugestivo. Ausência de visceromegalias e linfonodomegalias ajuda a diferenciar de outras causas de trombocitopenia, como leucemias. A conduta na PTI infantil depende da gravidade do sangramento e da contagem plaquetária. Na maioria dos casos, especialmente com plaquetas >20.000-30.000/mm³ e ausência de sangramento grave, a observação clínica ("seguimento clínico") é a conduta preferencial, devido à alta taxa de remissão espontânea (cerca de 80% em 6 meses). Tratamentos como corticoides ou imunoglobulina intravenosa são reservados para sangramentos graves ou plaquetas muito baixas com risco de sangramento intracraniano. O prognóstico da PTI aguda infantil é geralmente excelente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para PTI em crianças?

O diagnóstico de PTI em crianças é de exclusão, baseado em trombocitopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente clinicamente bem, sem outras causas aparentes, frequentemente após uma infecção viral.

Quando a PTI em crianças requer tratamento farmacológico?

O tratamento farmacológico (corticoides, imunoglobulina) é geralmente reservado para crianças com sangramento grave ou contagens de plaquetas muito baixas (<10.000-20.000/mm³) com risco de sangramento, especialmente intracraniano.

Como diferenciar PTI de leucemia em crianças com trombocitopenia?

A PTI geralmente apresenta trombocitopenia isolada com macroplaquetas e ausência de visceromegalias/linfonodomegalias. A leucemia frequentemente cursa com outras citopenias (anemia, leucopenia/leucocitose), blastos no sangue periférico e/ou visceromegalias, exigindo mielograma para confirmação.

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