PTI Grave com Sangramento Intracraniano: Manejo

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Escolar do sexo feminino, 8 anos, é admitida na emergência com cefaleia intensa, vômitos e desorientação. Ela apresenta petéquias no tronco e nos membros, além de sangramento gengival. A mãe relata que a criança teve uma infecção viral há 2 semanas. O hemograma mostra plaquetas de 10.000/mm³, sem outras alterações. A tomografia computadorizada de crânio revela um pequeno hematoma subdural. Baseado na provável hipótese diagnóstica, a conduta apropriada para essa criança é:

Alternativas

  1. A) Administrar imunossupressores e ciclofosfamida.
  2. B) Realizar esplenectomia emergencial.
  3. C) Administrar corticoterapia isolada.
  4. D) Realizar transfusão plaquetária, corticosteroides e imunoglobulina humana.
  5. E) Internar a paciente para observação clínica e monitorização da evolução.

Pérola Clínica

PTI grave com sangramento intracraniano → transfusão plaquetária + corticoide + imunoglobulina humana (IVIG) é conduta emergencial.

Resumo-Chave

Uma criança com trombocitopenia grave (plaquetas < 10.000/mm³), sangramento ativo (petéquias, sangramento gengival) e, crucialmente, sangramento intracraniano (hematoma subdural), apresenta uma emergência médica. A hipótese diagnóstica mais provável é PTI grave. Nesses casos, a conduta imediata visa aumentar rapidamente a contagem de plaquetas e controlar o sangramento, combinando transfusão plaquetária, corticosteroides em altas doses e imunoglobulina humana intravenosa (IVIG).

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos, resultando em trombocitopenia e risco de sangramento. Em crianças, a PTI é frequentemente aguda e autolimitada, muitas vezes precedida por uma infecção viral. No entanto, casos graves com sangramento em órgãos vitais, como o sistema nervoso central, representam uma emergência médica com alta morbidade e mortalidade. O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada na ausência de outras causas. A presença de sangramento intracraniano, como um hematoma subdural, em um paciente com plaquetas extremamente baixas, é a complicação mais temida e exige intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à sua destruição no baço. O tratamento de emergência para PTI grave com sangramento intracraniano é multimodal. Inclui transfusão de plaquetas para fornecer um 'tampão' temporário e estancar a hemorragia, corticosteroides em altas doses para suprimir a resposta imune e imunoglobulina humana intravenosa (IVIG) para bloquear os receptores Fc nos macrófagos esplênicos, reduzindo a destruição plaquetária. A esplenectomia é uma opção para PTI crônica refratária, mas não é a conduta inicial em uma emergência aguda com sangramento intracraniano.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para PTI grave em crianças?

Sinais de alerta incluem contagem de plaquetas muito baixa (< 10.000-20.000/mm³), sangramento mucocutâneo extenso (petéquias, equimoses, epistaxe, gengivorragia) e, mais grave, sangramento em órgãos vitais como o sistema nervoso central.

Por que a combinação de transfusão plaquetária, corticosteroides e imunoglobulina é a conduta apropriada?

A transfusão plaquetária oferece um aumento temporário de plaquetas para estancar o sangramento agudo. Corticosteroides e imunoglobulina humana agem modulando a resposta imune, reduzindo a destruição plaquetária e aumentando a contagem de plaquetas a longo prazo.

Quais são as principais causas de trombocitopenia em crianças?

As causas mais comuns incluem PTI (primária ou secundária a infecções virais), leucemias, anemia aplásica, síndromes mielodisplásicas, infecções virais (ex: dengue, mononucleose), e outras doenças autoimunes ou genéticas.

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