IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Menino de 2 anos é levado a uma unidade de emergência pelos seus pais após ele evoluir com aparecimento de lesões cutâneas nos membros inferiores. Os pais negam outros sinais e/ou sintomas, apenas descrevendo quadro viral há cerca de 15 dias. Ao exame físico, o médico plantonista observa a presença de petéquias e equimoses em membros inferiores. Laboratorialmente, apresenta plaquetopenia de 52.000/mm³, porém sem outras alterações. Com base no quadro clínico descrito, a conduta correta seria:
PTI pediátrica + plaquetas > 30.000 + apenas sintomas cutâneos → Observação clínica.
A PTI na infância é geralmente autolimitada e benigna. Em pacientes com contagens de plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³ e sem sangramentos ativos graves, a conduta expectante é preferível ao tratamento medicamentoso.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é a causa mais comum de plaquetopenia aguda em crianças previamente hígidas, frequentemente precedida por uma infecção viral. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos (geralmente IgG) contra antígenos de superfície das plaquetas, levando à sua destruição prematura no baço. Na prática clínica, a estratificação de risco baseia-se mais na gravidade do sangramento do que no número absoluto de plaquetas. A maioria das diretrizes internacionais, como as da Sociedade Brasileira de Pediatria e da ASH, reforça que a conduta 'watch and wait' é segura para crianças com sintomas cutâneos isolados, minimizando efeitos colaterais de terapias sistêmicas.
O tratamento medicamentoso (geralmente com Imunoglobulina IV ou Corticosteroides) é tipicamente reservado para crianças com contagem de plaquetas inferior a 10.000-20.000/mm³ ou naquelas com manifestações hemorrágicas significativas em mucosas, independentemente da contagem. Para pacientes com plaquetas acima de 30.000/mm³ e apenas petéquias ou equimoses, a conduta padrão é a observação clínica rigorosa e orientações sobre evitar traumas, pois a taxa de remissão espontânea é alta, superando 80% em seis meses.
Sinais de alerta que exigem tratamento imediato incluem sangramento ativo em mucosas (epistaxe volumosa, hematúria, sangramento gastrointestinal), sinais de hemorragia intracraniana (cefaleia intensa, vômitos, alteração de consciência) ou plaquetopenia extrema (abaixo de 10.000/mm³). Nestes cenários, a imunoglobulina intravenosa (IGIV) é frequentemente a primeira escolha pela rapidez de ação no aumento da contagem plaquetária, visando reduzir o risco de sangramentos fatais.
A biópsia ou o aspirado de medula óssea não são obrigatórios em casos típicos de PTI pediátrica (plaquetopenia isolada, exame físico normal exceto por púrpuras, sem linfonodomegalias ou visceromegalias). A investigação medular deve ser considerada apenas se houver alterações em outras linhagens celulares (anemia ou leucopenia não explicadas), se o paciente não responder ao tratamento inicial, ou se houver suspeita de leucemia ou anemia aplásica baseada em sinais sistêmicos como febre persistente e dor óssea.
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