PTI: Diagnóstico Diferencial e Investigação Essencial

SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 30 anos, previamente hígida, nota aparecimento de petéquias em membros inferiores nas últimas 2 semanas, sem qualquer outra queixa. O exame físico é normal e o hemograma mostra apenas plaquetopenia, com 30 mil plaquetas/mm³, sem alterações na série vermelha ou nos leucócitos. Sobre esse quadro clínico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Diante do alto risco de sangramento grave, a paciente tem indicação de internamento para transfusão de concentrado de plaquetas.
  2. B) A principal hipótese diagnóstica é de púrpura trombocitopênica imune (PTI), sendo corroborada por achado de esplenomegalia e biópsia de medula óssea mostrando baixa contagem de megacariócitos.
  3. C) Frente à hipótese diagnóstica é de púrpura trombocitopênica imune (PTI), está indicada a pesquisa de infecção pelo HIV, por ser potencial causa de plaquetopenia.
  4. D) Está indicada a internação hospitalar para transfusão de concentrado de hemácias e esplenectomia no mesmo internamento, já que, nessa condição, a destruição das plaquetas ocorre no baço.

Pérola Clínica

PTI: plaquetopenia isolada + ausência de esplenomegalia + pesquisa HIV/H. pylori/HCV essencial.

Resumo-Chave

A PTI é um diagnóstico de exclusão. É crucial investigar causas secundárias de plaquetopenia, como infecções virais (HIV, hepatites), doenças autoimunes e uso de medicamentos, antes de firmar o diagnóstico de PTI primária.

Contexto Educacional

A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção inadequada na medula óssea, resultando em plaquetopenia isolada. É mais comum em mulheres jovens e pode se manifestar com petéquias, equimoses ou sangramentos mucosos. A prevalência é de cerca de 100-130 casos por milhão de adultos. O diagnóstico de PTI é de exclusão, o que significa que outras causas de plaquetopenia devem ser investigadas. É fundamental pesquisar infecções virais como HIV e hepatites B e C, infecção por H. pylori, doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico) e uso de medicamentos. A presença de esplenomegalia ou outras alterações no hemograma (além da plaquetopenia) levanta a suspeita de outras condições e deve ser investigada. O tratamento da PTI depende da gravidade da plaquetopenia e da presença de sangramento. Em pacientes assintomáticos com plaquetas >30.000/mm³, a observação pode ser suficiente. Para plaquetas <30.000/mm³ ou sangramento, corticosteroides são a primeira linha. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos graves e não é uma conduta inicial para plaquetopenia isolada sem sangramento ativo, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Púrpura Trombocitopênica Imune?

A PTI é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por plaquetopenia isolada (<100.000/mm³) na ausência de outras causas de trombocitopenia. O hemograma é normal, exceto pela baixa contagem de plaquetas.

Por que a pesquisa de HIV é importante na investigação de plaquetopenia?

A infecção pelo HIV é uma causa secundária comum de trombocitopenia, podendo se apresentar como uma plaquetopenia isolada. A identificação precoce é crucial para o manejo adequado da infecção subjacente.

Quando a biópsia de medula óssea é indicada na suspeita de PTI?

A biópsia de medula óssea não é rotineiramente indicada na PTI típica. Ela é reservada para casos atípicos, como idosos, pacientes com citopenias adicionais, ou quando há suspeita de outra doença hematológica.

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