UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015
Um homem de 27 anos, há um ano apresentou petéquias em membros inferiores, sem outros sinais e/ou sintomas. À época, fez exame de hemograma que mostrou contagem de plaquetas de 10.000/UL e foi diagnosticado com Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI). Recebeu tratamento com corticoide em altas doses com normalização clínica e do hemograma. No momento, o paciente encontra-se assintomático, porém, realizou exame de hemograma com contagem plaquetária de 35.000/U. Qual a melhor conduta para o caso?
PTI assintomática com plaquetas >30.000/UL → Observação clínica.
Em pacientes adultos com Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) crônica que estão assintomáticos e possuem contagem de plaquetas acima de 30.000/UL (ou 20.000-30.000/UL, dependendo da diretriz), a conduta mais apropriada é a observação clínica e monitorização do hemograma, sem necessidade de tratamento ativo.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é um distúrbio autoimune caracterizado pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção plaquetária insuficiente, mediada por autoanticorpos. Pode ser aguda ou crônica, sendo definida como crônica quando persiste por mais de 12 meses. A PTI é uma causa comum de trombocitopenia isolada em adultos e crianças, e seu manejo depende da gravidade dos sintomas e da contagem plaquetária. O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na trombocitopenia isolada na ausência de outras causas. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à fagocitose das plaquetas revestidas por anticorpos no baço. O tratamento inicial para PTI sintomática ou com plaquetas muito baixas geralmente envolve corticoides (como prednisona) ou imunoglobulina intravenosa (IVIG). Muitos pacientes respondem a esses tratamentos, mas alguns podem desenvolver PTI crônica. Para pacientes com PTI crônica que estão assintomáticos e mantêm uma contagem de plaquetas acima de um limiar seguro (geralmente >20.000-30.000/UL), a conduta mais apropriada é a observação clínica e monitorização regular do hemograma. O objetivo do tratamento na PTI não é normalizar a contagem de plaquetas, mas sim atingir uma contagem segura que previna sangramentos clinicamente significativos, minimizando os efeitos adversos da terapia. A esplenectomia e outros agentes imunossupressores são considerados para pacientes refratários ou que necessitam de tratamento contínuo.
O tratamento para PTI em adultos é indicado principalmente para pacientes sintomáticos (com sangramento clinicamente significativo) ou para aqueles com contagem de plaquetas muito baixas (geralmente <20.000-30.000/UL), mesmo que assintomáticos, devido ao risco aumentado de sangramento espontâneo.
A esplenectomia é uma opção de tratamento de segunda linha para pacientes com PTI crônica que não respondem ou se tornam refratários à terapia inicial com corticoides ou imunoglobulina, ou que necessitam de doses elevadas de corticoides para manter a resposta. Ela remove o principal local de destruição plaquetária e produção de anticorpos.
A observação é a melhor conduta porque o risco de sangramento grave é baixo nesses pacientes. O tratamento ativo pode ter efeitos adversos significativos, e o objetivo é manter uma contagem de plaquetas segura para prevenir sangramentos, não necessariamente normalizá-la.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo